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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Conto: Os mistérios da noite de Jon Talber

À noite, quando todos parecem dormir, apesar do pouco movimento, nas ruas desertas, nos becos escuros, nas casas abandonadas, coisas misteriosas acontecem...

E os muitos sons, sem que se saiba de onde vêm, é uma prova de que nem todos estão dormindo.

São muitos ruídos! Grandes, pequenos, minúsculos. Alguns, se estivermos bem atentos, podemos identificar com facilidade, outros não...

Aquela era apenas mais uma dessas noites.

Tudo quieto. Lá longe, ouvia-se o barulho do motor de alguns carros, o canto de um grilo...

As ruas logo ficariam completamente desertas, e as luzes das casas seriam todas apagadas.

Aí sim, todos poderiam dormir tranquilos...

Em sua cama, depois de escovar os dentes, depois de conferir seu material escolar e já deixar sua mochila arrumada para o dia seguinte, aquele menino dormia profundamente.

Talvez até estivesse sonhando com alguma coisa. Bom, isso não tem como saber...

Mas aquele sono parecia muito bom...

Então, de repente, sem saber o motivo, ele acordou...

Um ruído estranho o despertara. Abriu os olhos assustado sem compreender muito bem o que estava acontecendo.

O barulho, para falar a verdade bem alto, parecia vir de algum lugar ali perto. Só não dava para dizer se viera de dentro, ou de fora da casa.

Mas, uma coisa era certa, ele tomou um grande susto!

Ainda permaneceu quieto alguns instantes, de orelhas em pé, esperando que o ruído se repetisse.

Sentou-se na cama e ficou tentando escutar mais alguma coisa. Qualquer barulhinho que lhe desse uma pista do que havia acontecido, já lhe servia.

E assim ficou por um bom tempo. Olhou para porta do quarto e viu que estava fechada.

"O que será que aconteceu? Quem, ou o Que, fez esse barulho?", perguntou para si mesmo.

Então sua cabeça entrou em ação. Sua imaginação, agora, já começara a criar suas próprias respostas...

Ela o fez Lembrar-se das assombrações que andavam tarde da noite, que entravam nas casas, quando todos estavam dormindo, procurando crianças, para assustá-las...

Pelo menos era isso que estava naquelas "histórias", que os adultos contavam para fazer as crianças dormirem cedo. Bom, ele não era mais tão pequeno assim, mas, Será que tudo aquilo não era verdade?

Lembrou que o barulho poderia ter vindo do beco que ficava próximo à sua casa.

Lembrou das estórias do "Papa-Figo", ou "Velho do Saco", que raptava crianças, entrando nas casas silenciosamente, quando todos estavam dormindo, ou descuidados...

Contava-se que ele não fazia barulho algum. "Mas, pode ser que dessa vez, andando naquele escuro todo, ele tenha se descuidado um pouco!", pensou sentindo um calafrio pelo corpo.

Tomado de coragem, resolveu ir olhar pela janela do seu quarto, para ver se conseguia descobrir alguma coisa lá fora.

Como era noite de lua clara, se tivesse alguma coisa lá fora, pelo menos no beco que ficava perto da sua casa, poderia ver.

E sua mente não parava de pensar as mais assustadoras coisas. Ele sabia que, enquanto não descobrisse a "verdadeira" causa do barulho, ela não o deixaria dormir outra vez!

Pela janela, morto de medo, percorreu com os olhos os latões de lixo que ficavam guardados no beco até que o caminhão da coleta passasse, tomando cuidado para não ser visto.

Por trás da cortina da janela, escondido, viu que alguma coisa se mexia em meio aos latões de lixo.

Esfregou os olhos para clarear a visão, e então, como num passe de mágica, pôde ver quem era o o misterioso causador daquele ruído que lhe tirara o sono.

Era um Gato! Sim, apenas um simples gato.

Que agora, ao vê-lo na janela, já que eles enxergam no escuro, começou a miar quebrando o silêncio da noite.

"Que coisa!", disse então para si mesmo.

A sensação de alívio que sentiu foi imensa.

Nesse momento, lembrou de como sua imaginação o enganara criando aqueles medos que não existiam de verdade. Nessas horas, Mas parecia que ela era sua inimiga, pois ao invés de acalmá-lo, só cuidava de assustá-lo ainda mais, mesmo sem existir um motivo para isso.

"Aprendi mais uma! De outra vez, antes de me assustar sem conhecer a causa, pensarei duas vezes, ou mais!", disse aliviado em voz alta.

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