Sejam bem vindos!

Um dos requisitos necessários ao professor da atualidade é manter-se atualizado em sua área, inovar sempre e demonstrar criatividade e disposição para modificar e melhorar a sua prática pedagógica.

Portanto, este blog foi criado para auxiliar nesta tarefa, contribuindo para a troca de experiências, com novas ideias, sugestões, textos teóricos, mensagens reflexivas, vídeos e muito mais.

Espero que todos apreciem, dê a sua sugestão do que gostaria de ver postado aqui e deixe o seu recado, ficarei muito satisfeita em atender as solicitações sempre que possível.

Bom passeio a todos!



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Funções da roda de conversa na Educação Infantil

A dinâmica das rodas como uma atividade permanente e diária na Educação Infantil assume características e finalidades de diversas naturezas, dependendo dos objetivos do professor, tais como:

 • A roda como um espaço para as conversas informais: Nela ocorre o relato das crianças e do professor sobre situações diferentes ou novidades que vivenciaram. Juntos, eles compartilham e realizam experiências. Isso permite a ampliação do vocabulário dos alunos, bem como do repertório de modelos de explicações e de estratégias de elaboração e organização do pensamento. Nesse sentido, a roda cumpre a função essencial de desenvolvimento da linguagem oral. 

• A roda como espaço para a apresentação de informações e de instruções: Esse é o momento de o professor informar sobre algum fato ou decisão a respeito do funcionamento da escola, por exemplo, de uma festa que ocorrerá ou o dia de um passeio. Ao mesmo tempo, a roda pode servir para a apresentação das instruções de um jogo e de suas regras. 

• A roda como espaço para a discussão de regras sociais e resolução de conflitos interpessoais: Ela cumpre uma função social importante na regulação das relações interpessoais na sala de aula. A roda se estabelece como espaço para o diálogo, para o estabelecimento de regras ou dos “combinados” para o convívio entre os próprios alunos, entre eles e o professor e entre toda a comunidade escolar. É um espaço para a discussão, a elaboração de estratégias e a resolução de conflitos que aparecem em diferentes momentos do dia ou de um período escolar. 

• A roda como espaço para a organização das atividades do dia: Nela são apresentadas as atividades do dia conforme uma organização temporal que permite à criança organizar e situar suas ações no tempo da escola. Pela possibilidade de as crianças exporem intenções, negociarem a distribuição e a ordem das atividades em diferentes grupos e tomarem decisões, a roda assume a função essencial de desenvolvimento da autonomia, da liberdade com responsabilidade. 

• A roda é um espaço para a construção, ampliação e reconstrução de conhecimentos: É nesse momento, por exemplo, que o professor pode convidar os alunos a participarem das “rodas de contagem”. A partir de uma regra ou de um padrão apresentado pelo professor, os alunos são estimulados a realizar diferentes contagens. Nessa abordagem, a roda tem a função básica de promover o desenvolvimento de ideias e conceitos relacionados às áreas de conhecimento. 

• A roda é um espaço para a investigação: Esse é o momento que a roda tem a finalidade de promover o levantamento de hipóteses, a elaboração de conjecturas, o desenvolvimento da imaginação e da observação, a organização de ações para o estudo de algum tema, habilidades essas fundamentais em um processo de investigação. A apresentação do tema de algum projeto e sua discussão são exemplos de atividades que se enquadram nessa função. 

Fonte: Matemática no dia a dia da Educação Infantil: rodas, cantos, brincadeiras e histórias. Eliane Reame, Anna Claudia Ranieri, Liliane Gomes e Priscila Montenegro. São Paulo: Livraria Saraiva, 2012.

Importância da chamada na educação infantil

Reflexões sobre a atividade permanente da chamada do livro: Ler e escrever na Educação Infantil: discutindo práticas pedagógicas.

 Na Educação Infantil são inúmeras as oportunidades significativas em que as crianças podem reconhecer letras, aprender os nomes de cada uma e tentar grafá-las. Tal conhecimento é importante, em primeiro lugar, porque desse modo a criança foca a atenção no princípio de que utilizamos as letras na escrita de palavras. Em segundo lugar, porque, para “conversar” sobre a escrita, para dialogar sobre como escrever uma palavra, a criança passa a poder lançar mão dessa metalinguagem. Ou seja, ao escrever seus nomes ou outras palavras de seu interesse, pode interagir com os colegas e professora sobre que letra usar. Por fim, as atividades com as letras familiarizam a criança com o seu traçado, permitindo que possa escrever ao seu modo usando os símbolos convencionais. P. 28 

O mural da chamada é mais uma alternativa em que, por meio da comparação da escrita do nome das crianças, podem ser criadas várias oportunidades de aprender o nome das letras. Assim, é possível perguntar quais nomes começam com a mesma letra, qual é aquele que tem mais ou menos letras, qual o nome que difere do outro apenas por uma letra, entre outras possibilidades. A atividade diária com o mural de chamada também permite que as crianças reconheçam globalmente o seu nome, o nome dos colegas, fazendo com que tais palavras se tornem “estáveis”. Ou seja, mesmo sem estar alfabetizada, a criança pode ir construindo um repertório de palavras que sabe escrever de cor. Tal conhecimento, sem dúvida, também pode ajudá-la nas suas tentativas de escrita e leitura de novas palavras. P. 29 

As letras do alfabeto permitem que, com base nelas e nos sons que representam, possamos escrever infinitas palavras e textos. Os diferentes textos com os quais convivemos são escritos com diferentes tipos de letra. Essa é uma aprendizagem que as crianças precisam realizar, e que muito cedo elas começam a perceber, com base nas experiências que vivenciam com os variados textos que circulam na sociedade. P. 110 

Em várias escolas de Educação Infantil, percebemos a opção em trabalhar, tanto na leitura como na escrita, com palavras escritas com letras de imprensa maiúscula. São várias as justificativas para essa opção: essas letras estão muito presentes no cotidiano das crianças, em vários textos e suportes textuais (outdoors, capas de livros, placas, rótulos de embalagens, etc.); são letras mais facilmente identificadas pelas crianças nas palavras, já que é claro onde a letra começa e termina, o que não ocorre com a letra cursiva; são letras com um traçado mais simples e, portanto, mais fáceis de serem reproduzidas, não sendo, inclusive, necessário um treino sobre sua movimentação. P. 111 

Fazer a opção pelo trabalho com a letra de imprensa maiúscula na Educação Infantil não significa, no entanto, que os outros tipos de letras não possam estar presentes na sala, pois espera-se que textos escritos com diferentes letras sejam lidos/vistos nesse contexto. P. 112 

No trabalho com os diferentes tipos de letras na Educação Infantil, precisamos considerar, portanto, dois aspectos: os usos efetivos dessas letras nos diferentes textos que circulam na sociedade, o que está vinculado à dimensão do letramento e dos usos sociais da linguagem; e o desenvolvimento cognitivo das crianças em relação à apropriação da escrita alfabética. Em relação ao primeiro aspecto, a diversidade de formas de se grafar as letras pode ser trabalhada na escola por meio da leitura e escrita de diferentes textos, em diferentes suportes. No que se refere ao desenvolvimento cognitivo dos alunos e à capacidade de identificarem e grafarem as letras em suas diferentes formas, precisamos considerar, como apontado por Quinteiros (1997), que a percepção da estabilidade das letras não é facilmente compreendida pelas crianças. [...] Ao serem apresentadas a diferentes formas de se traçar uma letra, crianças que não compreenderam ainda a natureza alfabética do nosso sistema podem achar que as mesmas letras apresentadas no formato maiúsculo e minúsculo correspondem a letras diferentes, como abordado por Quinteiros (1997). P. 112 

Fonte: Ler e Escrever na Educação Infantil: discutindo práticas pedagógicas. Ana Carolina Perrusi Brandão e Ester Calland de Sousa Rosa (Orgs.). Coleção: Língua Portuguesa na Escola. Editora: Autêntica, 2. Ed. Belo Horizonte, 2011.