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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O futuro da educação infantil de Vital Didonet


Se quisermos que as próximas gerações respeitem a natureza e cuidem do planeta Terra, é importante incluir agora no currículo da educação infantil o estudo da natureza e da interdependência entre o ser humano e o ambiente.
Assuntos sobre o Meio Ambiente é de interesse da criança pequena? O que e como se trabalhar na educação infantil para que elas se tornem atores de uma nova consciência e uma nova atitude frente à vida e ao meio ambiente?
Iniciemos pela pergunta sobre quando começar e por que tão cedo.
         Os primeiros anos de vida são os mais favoráveis para desenvolver atitudes e valores que formam a base da personalidade. A estrutura de valores e as atitudes construídas na primeira infância traçam a rota mais firme e estável para a vida. Ela será usada como referência para decisões importantes que o homem e a mulher deverão tomar nas diferentes fases e circunstâncias de sua existência. Os primeiros valores determinam os comportamentos éticos e morais ao longo da vida. Quando alguém se vê diante de dificuldades e situações complexas, ou quando um novo desafio exige uma decisão difícil de tomar, é a tais valores que vai recorrer. Na infância, eles se inseriram como sulcos na personalidade e depois passam a guiar opções e resoluções, reações e comportamentos.
         Portanto, se quisermos que as próximas gerações respeitem a natureza e cuidem do planeta Terra, é importante incluir agora no currículo da educação infantil o estudo da natureza e da interdependência entre o ser humano e o ambiente. As crianças são muito sensíveis à natureza e aos seus elementos - os animais, as plantas, as flores, os fenômenos do fogo, da água, da terra, do vento. Essa é a razão pela qual o contato lúdico com elementos da natureza sempre esteve presente na educação infantil.
O currículo de educação infantil geralmente inclui duas áreas de trabalho relacionadas ao ambiente: conhecimento, por meio de experiências concretas, da natureza e dos problemas que a estão afetando e ressignificação de materiais por meio da transformação e da reutilização. A primeira linha de ação é relativamente recente e consiste em conhecer os espaços naturais. Passeios, exploração dos ambientes, cuidado de pequenos animais, cultivo de horta, pomar e jardim levam as crianças ao encontro da natureza e também às iniciativas contra a poluição do rio, o lixo nas ruas, à coleta seletiva na escola. A segunda - reciclagem e uso de "materiais de sucata" para fins didáticos - tem a mesma idade do jardim-de-infância e da pré-escola (material de sucata é entendido aqui como aquele que já cumpriu a sua primeira destinação e pode adquirir outra).
         Cabe, então, uma nova pergunta: o que isso tem a ver com a educação das crianças e, mais, com o desenvolvimento sustentável? A resposta começa na afirmação da Carta da Terra de que a construção de uma sociedade sustentável "requer uma mudança na mente e no coração". O que muda a mente e o coração mais do que a educação? Se no ensino fundamental e médio a educação tem o poder de modificar o entendimento e a maneira de se pôr diante da vida, na educação infantil ela não precisa mudar a mente nem o coração, pois começa quando eles estão começando a se formar. Tarefa bem mais fácil, pois. A transformação, pela reciclagem ou pela atribuição de outra finalidade a elementos da natureza, de objetos do passado e produtos da indústria, tem significado filosófico, psicológico e pedagógico e um profundo sentido ético nas relações entre as pessoas e destas com toda a existência. Que significado é esse?
         Estamos vivendo num círculo vicioso de produção-consumo-substituição-descarte. Esse fenômeno está criando o hábito da substituição e uma corrida pela novidade. Decorre disso uma crescente atitude de desprezo pelo velho, pelo antigo, pelo modelo ultrapassado. Quantas pessoas sentem-se incomodadas em ter um eletrodoméstico, um telefone celular, um computador, um televisor velho, um pen-drive ou i-pod com baixa capacidade de armazenagem frente ao último lançamento! Algumas crianças ficam envergonhadas se seus pais vão buscá-las na escola com um carro velho...
         Mais séria, no entanto, é a conseqüência disso sobre as relações humanas: o amor é visto como uma emoção passageira, a amizade como um sentimento superficial, as relações humanas passam a ser encaradas pelo critério da utilidade. Dessa forma, as pessoas podem ser facilmente substituídas, postas em segundo plano, abandonadas como objetos descartáveis. Um pequeno desentendimento ou um conflito ocasional é suficiente para cortar os laços que unem marido e mulher, pais e filhos, namorados, amigos. As pessoas idosas são vistas como estorvo, postas em lar de velhinhos, nunca visitadas por familiares.
         Ressignificar um objeto pela transformação do seu primeiro objetivo em outro - por exemplo, transformar uma garrafa de plástico em ônibus ou uma lâmpada queimada em um artístico invólucro de um barco em miniatura - pode contribuir para desenvolver dois valores:
* A Terra e tudo o que a faz ser um planeta habitado pela vida não valem só porque são úteis e enquanto servem ao interesse imediato de bem-estar, da acumulação de riqueza ou desfrute do ser humano, mas têm um valor intrínseco, que é a existência mesma, e uma condição de permanência e desenvolvimento determinada pela natureza e pela cultura;
* As coisas têm uma existência multissignificante, ou seja, a noção de transutilidade aprofunda a visão humana sobre o significado do mundo e, consequentemente, da própria existência e das relações das pessoas entre si e com a natureza. Somos criadores de significados e portadores de muitos possíveis.
         Em síntese, além da sua dimensão econômica e ecológica, a reciclagem, a preservação e a ressignificação portam valor psicológico, filosófico e pedagógico. Somos como pontos de uma teia de relações na qual todos são importantes e significativos. Pertencemos ao mundo; em vez de "donos", somos irmãos de tudo o que há no universo. São Francisco de Assis entendeu essa dimensão de fraternidade universal a ponto de chamar irmão sol, irmã lua... Esse comportamento leva também ao reencontro do valor das pessoas, de sua dignidade intrínseca, seu desejo de ser mais, seus sonhos de felicidade e amor. As pessoas não podem ser usadas nem descartadas, não valem pela utilidade ou produtividade econômica, nem perdem a dignidade e o respeito com a idade.
         Os valores e as atitudes recomendados pela Carta da Terra − reverência à vida, firme com­pro­misso de alcançar a sustentabilidade, intensificação da luta pela justiça e pela paz e alegre celebração da vida − constituem um belo e desafiador programa de educação ambiental na escola.

Fonte: Revista Pátio - Ano VI - Nº 18

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