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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Brincadeiras e interações nas práticas pedagógicas e nas experiências infantis - Parte 7

Muitos acreditam que a brincadeira livre é natural nas crianças. Ao imaginar que as crianças nascem sabendo brincar, que não precisam aprender, que brincam em todo lugar e com o que existe, concluem inadequadamente que nada precisa ser feito. 
* O clima de confiança se estabelece quando se criam momentos em que as crianças ensinam as brincadeiras que conhecem aos novos coleguinhas, em situações de cumplicidade entre crianças de idades iguais e diferentes. 
* Brinquedos e materiais em estantes baixas, na altura do olhar das crianças, separados e organizados em caixas etiquetadas com o nome dos brinquedos oferecem autonomia às crianças para pegá-los, usá-los e depois guardá-los. A responsabilidade de cuidar dos objetos de uso coletivo é adquirida nesse tipo de brincadeira. A auto-organização da criança, nesse processo de pegar e guardar o brinquedo, contribui para a sua formação e passa a fazer parte da brincadeira. Esse sistema propicia, também, o desenvolvimento da linguagem escrita e visual, porque as crianças observam o desenho e o nome do brinquedo na etiqueta e vão gradativamente descobrindo o significado das palavras escritas durante esse processo de organização. 
* Com o apoio da professora, crianças pequenas exploram autonomamente os objetos, e são orientadas a guardá-los após o uso em sacolas ou caixas devidamente identificadas. A professora faz a mediação, indicando as peças que se encontram espalhadas e onde devem ser guardadas, até as crianças adquirirem o hábito da auto-organização. Essa brincadeira de identificar o tipo do brinquedo e guardá-lo na respectiva sacola/caixa, introduz, na educação infantil, a experiência prévia para a compreensão da classificação. 
* Na educação infantil é fundamental a integração dos tempos de cuidar, educar e brincar. O planejamento coletivo sobre o uso do espaço físico da creche por professoras e gestoras, facilita a integração entre cuidar/educar e brincar em todos os tempos da permanência da criança na creche. 
* Espaços de troca e banho integrados aos da sala de atividades possibilitam à professora dar banho em uma criança, observar outras que brincam próximo a ela e, ao mesmo tempo, visualizar as que estão na sala de atividades. Esse é um exemplo de ambiente que integra o cuidar/educar/brincar. É também divertido brincar de tomar banho de esguicho nos dias muito quentes. Enquanto a professora dá banho em uma criança, pode convidar outras para brincar de encher e esvaziar canecas em uma bacia. 
* Integrar o brincar com as ações de cuidado e educação faz com que, mesmo durante o banho, a professora olhe e fale com o bebê. Ao responder com um sorriso, olhar ou balbucio, o bebê interage e inicia o processo do brincar. 
* Para a saúde e o bem-estar da criança, é fundamental que as brincadeiras ocorram em ambientes tranquilos, seguros, em espaços internos e externos, cotidianamente. 
* Mesmo durante a alimentação, se o bebê derrubar a colher, deve-se brincar dizendo: “Caiu a colher!” e observar como ele repete a ação: se há repetição com prazer, a brincadeira integrou o cuidar e o educar. O tempo da alimentação é também o momento para a apreciação das cores, texturas, cheiros dos alimentos, além de ser espaço para imitação. Quando o bebê quer dar de comer ao outro, colocar uma boneca perto dele para que possa repetir ações imitativas. 
* Durante as brincadeiras, especialmente com bonecas, as crianças expressam seus conhecimentos sobre os cuidados pessoais: tomar banho, pentear o cabelo, vestir-se, trocar fraldas. Durante a brincadeira, podem surgir confrontos: um empurra o outro para tomar o brinquedo, o que obriga a professora a intervir, para a criança aprender a controlar sentimentos de raiva quando não consegue o brinquedo, levando-a a partilhar a brincadeira com o amiguinho. Os conflitos fazem parte da educação das crianças e devem ser experimentados, para que aprendam a compartilhar e a viver em grupo. 
* As experiências mediadas que focam a saúde e o bem-estar também estão relacionadas com a disposição e o planejamento do uso do espaço no edifício escolar bem como com as diversas opções de atividades para as crianças. 
* A integração de ambientes internos (sala de atividades) com os espaços externos (pequenos parques conjugados às salas) possibilita à criança autonomia para entrar e sair durante determinado momento do dia, de acordo com a atividade e a proposta curricular da instituição. Estar ao lado de um parque pode fazer muita diferença nas atividades cotidianas de um berçário: para a criança, abre a possibilidade de estar ao ar livre e de ter mais espaços para brincar; para a professora, significa dispor de recursos que a auxiliem na realização de um trabalho de qualidade que integre espaços internos e externos. 
* O bem-estar das crianças tem relação com suas necessidades: dormir ou brincar, comer ou ficar com seus brinquedos afetivos. Deve-se promover atividades interessantes para aquelas que não querem dormir ou reservar sempre espaços para aquelas que, mesmo durante os tempos de atividade, precisam dormir. 
* Deixar em espaços delimitados e conhecidos pelas crianças os seus brinquedos de afeto, para que possam pegá-los quando quiserem, por exemplo, seu bichinho de estimação. Garantir essa tranquilidade é exemplo de um ambiente de bem-estar. 
* A edificação de estabelecimentos de educação infantil influi no bem estar das crianças. O projeto arquitetônico do edifício da creche deve atender às normas brasileiras de conforto ambiental para que bebês e crianças pequenas não sejam submetidos a situações de risco e desconforto (temperaturas muito altas ou baixas, ruídos excessivos, pisos frios para engatinhar, refeitórios barulhentos, parques sem sombra etc.), prejudiciais ao seu desenvolvimento e à sua saúde. 
* O edifício da creche deve ser composto por ambientes acolhedores, áreas diferenciadas para brincadeiras em ambientes internos (espaços de movimentação, espaços para apresentações teatrais, espaços para artes, música, salas de atividades etc.) e externos (parques com relevos, vegetações e situações que promovam desafios saudáveis para bebês e crianças pequenas). 

Fonte: Brincadeiras e brinquedos em creches (Manual de orientação pedagógica) elaborado por Tizuko Kishimoto e Adriana Freyberger. Brasília, 2012.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Planejar a área externa

Faixa etária: 0 a 3 anos.

Conteúdo: Exploração do ambiente.

Objetivos:

- Organizar um ambiente externo com diversas opções de atividades.
- Incentivar o movimento e a exploração de materiais.

Tempo estimado: Durante o ano todo, especialmente no verão.

Material necessário:


Brinquedos diversos e em quantidade suficiente para toda a turma, baldes, vasos, colchonetes, livros, lupas, binóculos, caleidoscópios e móbiles.

Desenvolvimento:

 
1ª etapa:


Observe como o espaço externo da creche é utilizado. Quanto tempo cada professor passa fora da sala? Que tipo de atividade propõe? Há planejamento, diversificação e contato constante - o que é desejável - ou, ao contrário, trata-se apenas de um momento "tapa-buraco" na rotina semanal? Em cada turma, verifique se as crianças interagem entre si e exploram o ambiente ou se ficam restritas a uma pequena área.

2ª etapa:


Para que o espaço externo seja desafiador, assegure a diversidade de propostas. O ideal é contemplar o pátio com ambientes com areia, água e, principalmente, alguma área verde, mesmo que seja em vasos e floreiras. Em todos eles, é importante garantir a segurança. Medidas simples, como colocar colchonetes no chão para amortecer quedas em balanços ou escorregadores, ajudam a prevenir acidentes. Também é importante que haja pelo menos um adulto para cada sete crianças.

3ª etapa:


Hora de pensar no tempo despendido fora da sala. Assegure que as atividades ao ar livre tenham um espaço cativo na agenda semanal - a familiaridade com o ambiente externo é essencial para que os pequenos possam fazer suas próprias descobertas.

4ª etapa:


De tempos em tempos, surpreenda a turma com novidades criativas. Experimente, por exemplo, colocar objetos como lupas, binóculos, caleidoscópios e móbiles em lugares estratégicos, como galhos de árvores e cantos vazios. Outra forma de valorizar a área externa é variar as atividades em cada ambiente. É possível, por exemplo, usar o jardim para ler histórias, adaptando o ambiente de acordo com o enredo.

Avaliação:


Para analisar quais atividades e ambientes funcionam e, ao mesmo tempo, verificar o envolvimento das crianças nas diferentes propostas, elabore fichas de observação para cada uma. Ela pode conter os seguintes itens:

- Nome da criança
- Envolve-se em quais propostas?
- Qual espaço prefere?
- Com quem gosta de brincar?
- Mantém-se atenta às rodas organizadas na área externa?
- Percorre o espaço externo de maneiras diferentes?
- De que forma explora os desafios colocados na área?

Com base nesse diagnóstico, reorganize o ambiente e incentive cada criança, individualmente, a descobrir atividades e oportunidades ainda inexploradas.


Ana Paula Yazbek - Pedagoga e diretora do Berçário do Espaço da Vila, em São Paulo.

Fonte: Revista Nova Escola.

Atividade Permanente: Reinventando os espaços da creche

Faixa etária: 0 a 3 anos.

Objetivos:

- Conquistar autonomia de forma progressiva em relação a si próprio, aos outros e aos objetos.
- Desenvolver a identidade, reconhecendo limites e capacidades.
- Ter prazer e divertir-se com a vida coletiva na escola.
- Desenvolver a oralidade e a sociabilidade.

Conteúdos:


- Identidade e autonomia.
- Sociabilidade.
- Movimento.

Tempo estimado: O ano todo.

Material necessário:


Móveis da própria sala, tecidos de tamanhos e texturas variados, caixas de papelão, bambolês, brinquedos, livros, revistas, sucatas variadas, bolas e papelões vazados.

Desenvolvimento:

 
1ª etapa:
Observe diariamente como as crianças interagem com o ambiente. Que espaços e objetos preferem? Que materiais são mais desafiadores? Que ações executam com brinquedos, livros etc.? Registre suas observações e, com base nelas, planeje intervenções gradativas no espaço permanente da turma.

2ª etapa:

Organize cantos na sala, nos quais as crianças vão brincar e circular livremente. Use móveis, tecidos e tapetes para fazer uma divisão clara das áreas. O primeiro, com colchões e bolas, pode ser dedicado a brincadeiras corporais. O segundo, ao contato com livros e revistas. Mais um, para o faz de conta com objetos de cozinha e de bebês. Por fim, o canto de explorações (com tecidos de várias texturas, materiais sonoros e itens para desenho) e o das almofadas e dos objetos pessoais. Mostre tudo aos poucos, garantindo que os pequenos possam agir sozinhos ou em grupo.

3ª etapa:

Monte cabanas em alguns cantos para colaborar com a divisão do espaço e colocar uma limitação física no ambiente. Nelas, as crianças entram e saem, tendo momentos de privacidade e sociabilidade. Aproveite e use a cabana para uma proposta coletiva, convidando as crianças a ouvir uma história ou fazer um desenho coletivo.

4ª etapa:
A decisão sobre os materiais oferecidos é fundamental para propiciar desafios. É recomendável ter pequenos espelhos (desenvolvimento da identidade), caixas com objetos sonoros e outros de abrir e fechar (estímulo à exploração), além de pequenas bolas e tecidos grandes para jogar e puxar (promoção da sociabilidade). Variar a quantidade é útil para que os pequenos aprendam a pedir emprestado, a respeitar a vez do amigo e a compartilhar uma ação.

5ª etapa:

Realize constantes intervenções no espaço. Confeccione tapetes com texturas e caixas com aberturas. Varie as propostas para que os pequenos possam estar em pequenos grupos e com toda a turma. Promova brincadeiras na frente de um espelho com objetos e tecidos. Esteja atento para mediar situações de socialização e possíveis conflitos entre os pequenos.

Avaliação:
Crie situações para observar como cada um se relaciona com espaços, pessoas e objetos. Observe os avanços nas relações de respeito e no uso de estratégias comunicativas (orais ou não verbais), na gradativa superação de desafios corporais e no desenvolvimento da autonomia, tanto nas relações com os outros como no uso de objetos.


Consultoria: Karina RizekCoordenadora de projetos da Escola de Educadores e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.

Fonte: Revista Nova Escola.

Transformando espaços com luzes e sombras

Faixa etária: 0 a 3 anos.

Introdução

Uma das características mais fascinantes do Teatro é a possibilidade de criar, com o auxílio de alguns elementos, espaços, atmosferas, mundos diferentes. Assim é que o palco de um teatro ou mesmo um espaço como uma sala pode se transformar num castelo medieval, numa selva misteriosa ou numa paisagem do futuro. Desde cedo as crianças são sensíveis a essas transformações. Criar e recriar, inventar e brincar de estar em outro lugar ou de ser um personagem são características comuns à brincadeira infantil e à arte teatral. E é no aspecto da transformação que se baseia esta atividade permanente.

Conteúdos

- Transformação de espaços;
- Teatro de Sombras;
- Pesquisa de luzes e sombras;

Tempo estimado: 30 minutos.

Material necessário:
- Barbante;
- Lençóis brancos velhos;
- Lanternas de vários tipos;
- Bacias;
- Água;
- Escorredor de pratos, ralador, escorredor de macarrão e outros objetos “vazados”;
- Sucatas diversas, como caixa de ovos, garrafas pet e outros materiais transparentes;
- Papel cartão preto;
- Papel celofane;
- Tesoura;
- Cola.

Desenvolvimento da atividade:
 
1 Prepare a sala: para o teatro de sombras você vai precisar afastar os móveis da sala e estender, com o auxílio de barbantes, um ou mais lençóis brancos de um ponto a outro do espaço, como uma tela esticada. Apague então a luz e acenda uma ou várias lanternas. Essa simples intervenção já é deliciosa e provocativa para as crianças. Algumas podem assustar-se ou chorar; é importante que o professor perceba e respeite a emoção dos pequenos.
Nesse momento, é o professor quem “atua” no teatro, aproximando e afastando o foco das lanternas do lençol. Faça sons, cante ou convide as crianças a ajudar na “sonoplastia”. Esse primeiro momento é de aproximação e exploração!

2  O teatro de sombras tradicional utiliza figuras recortadas minuciosamente em papel cartão preto, representando personagens. Você pode fazer o mesmo e ter uma coleção de figuras mais estruturadas para contar histórias conhecidas para as crianças. Mas, nesta atividade, o mais importante é criar formas inusitadas, pesquisar o efeito da luz e da sombra, modificar o espaço e brincar com novas possibilidades de produzir sombras com as crianças.
Por exemplo: objetos vazados, como um escorredor de pratos, um ralador de queijo ou uma caixa de ovos furada produzem formas misteriosas ou sugestivas à luz da lanterna. Se a fonte de luz está fixa num único lugar, afastar e aproximar os objetos gera efeitos incríveis, principalmente se eles estiverem embrulhados em papel celofane. O mesmo acontece com objetos transparentes, como uma garrafa pet cheia de água colorida com anilina, ou mesmo uma bacia de água, que, quando iluminada, produz uma sombra cheia de movimento, que se modifica quando mexemos na água.

Repita a atividade num outro dia. Organize o espaço com a ajuda das crianças. Uma boa idéia também é que cada uma tenha a sua própria pequena lanterna para suas pesquisas.

4  No momento de Artes Visuais, convide as crianças a desenhar diferentes formas em papel cartão preto. Oriente-as com relação ao tamanho, para que não fiquem muito pequenas. Importante: não é preciso, necessariamente, que as crianças desenhem figuras humanas ou bem-acabadas. Formas abstratas também produzem lindas sombras! Se as crianças ainda não puderem recortar, faça isso para elas e “vaze” as figuras, fazendo recortes dentro delas. Peça às crianças que preencham os espaços vazados, colando pedaços de papel celofane. Pronto! Agora vocês podem explorar as figuras criadas à luz da lanterna, e até mesmo criar uma história com elas.

5  A proposta do teatro de sombras pode ser repetida muitas vezes. Alterne a possibilidade das crianças serem platéia (quando você ou um grupo de crianças está “por trás do lençol”) ou serem atores (quando a “apresentação” é responsabilidade das crianças, individualmente ou em pequenos grupos). É como diz o documento Orientações Curriculares – Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para a Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo:

“A percepção entre o faz-de-conta e o teatro não acontece naturalmente. É o professor quem nomeia o faz-de-conta organizado como teatro e contextualiza as experiências das crianças como teatrais, organizando-as intencionalmente e incentivando-as a fazer e/ou assistir.” p. 126.

Avaliação
Nesta atividade, fica muito evidente o quanto o professor media a aprendizagem dos pequenos. Porém, isso não significa que ele esteja fazendo tudo por eles. Por serem tão pequenas, as crianças vivem a experiência do teatro como integrada a todas as outras, como a brincadeira, a expressão plástica, o movimento. Mesmo assim, o professor pode observar se e o quanto as crianças participaram das atividades, se interessaram-se pela pesquisa das sombras ou pelas descobertas dos colegas. O parâmetro de avaliação é perceber se as crianças envolveram-se de verdade nessa experiência conjunta e puderam criar algo que lhes agradou e que fez sentido para elas, ao contrário da tradição de representar pecinhas decoradas e cheias de texto, de cuja autoria não participam.
 Quer saber mais?
Bibliografia
• A proposta desta atividade foi inspirada no trabalho do grupo catalão de teatro de sombras La cònica/lacònica. No site da companhia, é possível ver fotos do trabalho que desenvolvem, sempre utilizando objetos não-convencionais, sem a utilização da palavra, com trilhas musicais instigantes: http://www.laconicalaconica.com
Revista Nova Escola n° 181, abr/2005, edição especial sobre a China: O espetáculo vai começar.
Teatrinho de Sombras, Sati Achath, Ed. Nova Alexandria.
Paula Z - Formadora do Instituto Avisalá e mestranda em Educação da Universidade de São Paulo (USP).
Fonte: Revista Nova Escola.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Solidária parceria entre Espaço e Educador


            O espaço não é algo dado, mas deve ser construído como uma dimensão do trabalho pedagógico.
O modo como o professor organiza e utiliza este espaço expressa sua concepção: autoritária, democrática, centradas no professor ou centrada no grupo de alunos e na interlocução com eles.
            Sendo o professor esta figura tão influente, caberá a ele exercer o papel de mediador dessas diferentes relações: entre as crianças e o saber, entre ele e as crianças, entre as crianças e o mundo que as cerca e entre ela mesma.
            Superando esta postura “adultocêntrica”, o professor não elimina seu papel, ao contrário, reforça-o, como ator consciente das responsabilidades e das necessidades infantis. Não se trata apenas de dar informações e moldar comportamentos, mas de criar condições ricas e diversificadas para que cada criança trilhe seu caminho e desenvolva suas possibilidades. Trata-se de trabalhar o grupo e seu contexto respeitando as diferenças sem perder a visão do todo.
            Seguindo a ideia de Henri Wallon (1989), o meio é essencial em dois sentidos: Como ambiente e como instrumento. Se o professor está preocupado com a formação de indivíduos autônomos e independentes, de alunos que sejam protagonistas de sua aprendizagem, deverá preparar para este grupo de crianças um ambiente que seja desafiador e acolhedor, possibilitando interações entre elas e delas com os adultos. O espaço da escola e da sala de aula (móveis, materiais, cores, etc) deverá estar em condições para este desafio.

O espaço e a Socialização
O grupo social é indispensável à criança não somente para sua aprendizagem social, como também para o desenvolvimento da tomada de consciência de sua própria personalidade. A confrontação com os companheiros lhe permite constatar que é uma entre outras crianças e que, ao mesmo tempo, é igual e diferente delas.
            Precisamos saber que, nos primeiros anos de vida, o indivíduo apresenta reações descontínuas e esporádicas, que precisam ser completadas e interpretadas. Devido a essa incapacidade, ele é manipulado pelo outro e é através desse outro que suas atitudes irão adquirir forma. Desse modo, em um ambiente sem estímulos, no qual as crianças não possam interagir desde a tenra idade umas com as outras, com os adultos e com objetos e materiais diversos, esse processo de desenvolvimento não ocorrerá em sua plenitude.

Espaço e Movimento
Ainda se referindo aos princípios pedagógicos de Wallon , quando defende que o movimento tem um papel fundamental na afetividade e na cognição, podemos depreender que a organização espacial deverá traduzir-se em um espaço amplo onde as crianças poderão movimentar-se com liberdade. Muitas vezes na educação infantil, vemos as salas de aula sendo organizadas com mesas e cadeiras ocupando o espaço central, o que impõe às crianças uma “ditadura postural”, a qual certamente acarretará problemas de comportamento em algumas delas, pois não se sujeitarão a ficar sentadas por longos períodos de tempo.
            A dificuldade de alguns educadores em trabalhar "com corpos que se movimentam" é muitas vezes evidente. Por muito tempo, se afirmou a estratégia de se controlar o pensamento das crianças por meio do controle de seus movimentos. Em algumas práticas docentes é comum os arranjos espaciais não permitirem a interação entre as crianças, impossibilitando sua apropriação dos espaços. Há sempre um "lugar nobre" destinado a mesas e cadeiras e ao quadro negro, os armários fechados com materiais como tintas, pincéis, papéis e lápis de colorir, fora do alcance do aluno. De acordo com essa prática, o que legitima a ideia de turma disciplinada é aquela em que todos permanecem sentados, geralmente fazendo uma atividade fotocopiada que é igual para todos. Ignoram que o ato de brincar/jogar, é algo muito sério para a criança, e que ela pode aprender interagindo com objetos, explorando e descobrindo o mundo.

Espaço e Sensibilidade Estética

É importante termos consciência de que as crianças, passando por diferentes estágios de desenvolvimento, terão, por conseguinte, necessidades diversas também em relação ao meio no qual estão inseridas. A harmonia das cores, as luzes, o equilíbrio entre móveis e objetos, a própria decoração da sala de aula, tudo isso influenciará na sensibilidade estética das crianças, ao mesmo tempo em que permitirá que elas se apropriem dos objetos da cultura na qual estão inseridas.

Fonte: Maria da Graça Souza Horn - Sabores, cores, sons, aromas. Ed Artmed.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Brincar é explorar


Objetivos
- Organizar um ambiente interno com diversas opções de jogos de exercício.
- Favorecer o movimento da criança e a exploração de materiais.


Material necessário:
Jogos de exercício variados, brinquedos de encaixar, instrumentos musicais, rolos ou blocos de espuma, bolas, material reciclável etc.

Desenvolvimento

1ª etapa:
     Ao conceber um espaço para receber jogos de exercício, dedique algum tempo para analisar a quantidade e a qualidade dos brinquedos disponíveis. Sobre a quantidade, é importante verificar se há material suficiente para todos. Nessa faixa etária, deve haver um bom número do mesmo tipo para que os pequenos possam explorar sozinhos ou compartilhar com os colegas - nesse último caso, em atividades que não exijam tempo de espera, adaptadas ao comportamento dessa faixa etária. Sobre a qualidade, os objetos devem ser feitos de materiais seguros, com tamanhos maiores que o da boca dos bebês aberta e com diferentes cores e texturas.

2ª etapa:
     Organize os brinquedos em cantos diferenciados, de acordo com a habilidade que cada um deles possibilita desenvolver. Por exemplo, colchões, almofadas e rolos num lado da sala, opções de jogos para encaixar e empilhar em outro e instrumentos em uma prateleira ao alcance da turma. Com o tempo, as crianças podem ajudar na reformulação dos ambientes. Para entender a mensagem delas, atenção ao modo como se comportam os pequenos. Se reparar que há um canto aonde ninguém vai - ou que deixou de ser popular depois de algumas semanas de diversão -, vale a pena reorganizar os materiais e acrescentar novos elementos.

3ª etapa:
     Quando começar o momento da brincadeira, investigue de que forma os materiais disponíveis são usados. Com base nas descobertas, devem surgir outras possibilidades de exploração. Aqueles que começam a reagir aos brinquedos com sons, por exemplo, vão adorar experimentar diferentes instrumentos. Já os que conseguem empilhar peças podem brincar com cubos de diversos tamanhos e, assim, testar cada vez mais os limites de equilíbrio de uma torre.

4ª etapa:
     Atenção à questão do tempo: os pequenos costumam demorar mais para se envolver com um brinquedo. Eles chegam perto, mexem um pouco, largam e voltam. A noção de permanência vem com a experiência. Por isso, é importante não mudar os jogos com muita frequência. Ao longo do ano, as crianças irão buscá-los diversas vezes e, aos poucos, tentarão realizar novas experiências com cada um deles. Nesse aspecto, a parceria do professor é muito importante. Mas não se deve impor regras ou rotular ações como certas ou erradas. Ao contrário: a mediação precisa estimular a curiosidade e a criatividade. Coloque questões como "Você gostou de batucar esse tambor?", "Por que encaixou esta peça aqui?" e "Quer pegar o aviãozinho?". Esse tipo de estímulo serve até mesmo para quem ainda não desenvolveu plenamente a fala.

Avaliação
:
     Observe os movimentos exploratórios da turma para encaminhar a atividade. Esse diagnóstico pode servir de base para a reorganização do ambiente - verifique, principalmente, se o conjunto de atividades favorece a mobilidade e a exploração - e para propor desafios individuais. É possível, por exemplo, estimular a experimentação perguntando: "O objeto com que você está brincando produz sons ao ser chacoalhado? Encaixa em outro maior? Abre uma portinha?" Faça anotações sobre o comportamento dos pequenos e, se possível, filme ou fotografe as interações com os jogos e com os amigos.

Consultora em Educação Infantil da Caleidoscópio Brincadeira e Arte Adriana Klisys pedagoga e diretora da Creche Carochinha da USP de Riberão Preto, SP Regina Célia da Silva Marques Teles pedagoga do Laboratório de Brinquedos e Materiais Pedagógicos da USP Roselene Crepaldi.
Fonte: Revista Nova Escola.

terça-feira, 8 de março de 2011

Texto sobre a organização dos espaços na educação infantil

EDUCAÇÃO INFANTIL: ESPAÇOS E EXPERIÊNCIAS
Daniela de O. Guimarães1

Achadouros
Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a
cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente
descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela
intimidade que temos com as coisas. Há de ser como
acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal
são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo
pelo motivo da intimidade (Manoel de Barros).

O objetivo central deste texto é refletir sobre a qualidade dos espaços planejados para o trabalho educacional com crianças pequenas. Então, inicialmente, trata-se de definir o que entendemos como Educação e, em seguida, como determinada organização dos espaços pode interferir na concretização de nossos projetos educacionais.
Hoje, é possível entendermos Educação como a possibilidade de investimento na expansão da criança em suas múltiplas dimensões: emocional, sensorial, motora, mental, sócio-afetiva.
Fazer educação significa cuidar do outro, considerando-o como sujeito ativo e afetivo, que produz sentido sobre o mundo com suas ações corporais, sensoriais, e mentais, expressando-se de múltiplas formas, em permanente confronto e colaboração com o social no qual está mergulhado. Nesta perspectiva, educar é escutar o outro - criança, mobilizando ampliações de suas possibilidades de exploração do mundo.
Assim, a educação compromete-se com o desenvolvimento da "cognição corporificada", ou seja, relaciona-se não só com o que acontece na mente, no racional, na lógica, mas envolve especialmente o corpo e a emoção. Principalmente, relaciona-se com a idéia da aprendizagem não só como solução de problemas, repetição do modelo de mundo adulto, mas como criação de sentidos sobre o mundo, invenção de possibilidades, com o corpo inteiro.
De modo geral, a tendência, ao olharmos a criança, é buscar “o que já sabe?”; “o quanto já sabe?”; “o que já aprendeu?”, revelando preocupação com quantidade e variedade de informações organizadas racionalmente, ou seja, buscando como a criança representa a realidade em sua fala e ação. De outro modo, ao investirmos no desenvolvimento da produção de sentidos da criança sobre a realidade, deslocamos o foco para questões tais como “como a criança sente?”; “como se expressa em diferentes canais (corporal, oral, etc.)?”; “como experimenta diversos materiais?”; “como cria sentidos sobre nossa realidade, no contato com o que se dispõe desta realidade para ela?”.
Portanto, se considerarmos uma criança ativa, exploradora e criadora de sentidos, é preciso pensar um espaço e um educador que dêem apoio aos seus movimentos, que incentivem sua autoria e autonomia, que contribuam para a diversificação de suas possibilidades.
Compreender a educação como mobilizadora da capacidade da criança de produzir sentido sobre o mundo e não repetir padrões já existentes implica um desenho de espaço e um determinado papel de educador. Ou seja, é necessário levar em conta o diálogo com a expressividade das crianças, o incentivo às suas capacidades de criar cenas, narrativas (com vários suportes), invenção de situações, soluções inusitadas para as questões que emergem no
coletivo, permitindo-lhes prosseguir, testar suas hipóteses, experimentar formas novas de relação, sustentar o que constroem.
Se prefixarmos tudo, dizendo sempre o que as crianças vão fazer usando o planejamento como antecipação, já sabemos sempre onde as ações vão chegar. Consequentemente diminuímos as possibilidades expressivas (as crianças não sentem que suas produções têm escuta e apoio).
É importante que o espaço apresente a organização do mundo (o que acontece quando dispomos fotografias, reproduções de obras de arte, textos, livros, etc.) e que favoreça que as crianças experimentem situações expressivas diversas (com a variedade de materiais disponíveis, tais como panos, caixas, etc.).
Por conseguinte, organiza-se para nós a seguinte questão: como, efetivamente, o espaço de trabalho com as crianças pode favorecer a expansão criativa, a invenção de problemas e soluções novas, diversificação das possibilidades expressivas, sensoriais, emocionais da criança?
O projeto educacional que envolve as crianças de 0 a 6 anos no norte da Itália, especialmente na cidade de Reggio Emilia, oferece-nos inspiração para responder a essa questão, à medida que diversas pesquisas nos espaços de trabalho com as crianças visam analisar: como elas usam o espaço? Como se organizam nele? O que o educador pode fazer no espaço para ampliar as possibilidades socializadoras e criativas das crianças?
No projeto italiano há três idéias que são as chaves para a compreensão do papel do espaço no apoio às manifestações expressivas das crianças. Uma não é mais importante do que a outra, e as três idéias se interconectam no contexto das relações de adultos e crianças no cotidiano.
Primeiramente, a idéia da flexibilidade do espaço. Em segundo lugar, a importância do espaço apoiar os relacionamentos das crianças. Por fim, o espaço como convite à ação, à imaginação e à narratividade. A seguir, vamos explorar cada uma dessas idéias, refletindo sobre suas implicações na construção dos espaços de trabalho com as crianças em nossa realidade brasileira.

Espaço flexível:
Inspirados em Bachelard (1993), é fundamental compreendermos que o espaço planejado pelo arquiteto, em suas dimensões objetivas, é diferente do espaço vivido. Ou seja, o tamanho de um espaço para a criança não tem relação só com a metragem dele, mas relaciona-se com a forma como este espaço é experimentado. Uma casa com uma metragem pequena pode ser sentida pela criança (ou pelo adulto) como maior do que um espaço com dimensões maiores se há intimidade, sensação de segurança e pertencimento nessa casa.
Conseqüentemente, o espaço habitado e vivido é um espaço de limites transformáveis por quem o habita. Ou seja, o espaço objetivo torna-se “lugar de...” experiências, relações, criações; torna-se ambiente de vida, a partir das experiências que nele compartilhamos. O espaço é algo projetado, o lugar é construído nas relações.
Quando pensamos um espaço para a relação com as crianças, é importante que possamos aliar às qualidades físicas (o que nele é importante ter – objetos para construção, bonecos, papéis de diferentes tamanhos, fantasias, etc.) com as qualidades imaginativas (como essas coisas vão convidar a inventar possibilidades, pesquisas, cenas, narrativas? Como, na relação com essas coisas, as crianças vão construir significados?). Essa idéia da flexibilidade do espaço vivido é referendada nas palavras de Bachelard (1993), quando ele afirma que “o ser abrigado sensibiliza os limites do seu abrigo...” (p. 25).
Pensamos nos espaços antes de as crianças entrarem, mas quando eles são habitados e vividos é que se tornam ambientes de experiência, ganhando contornos de fato. De acordo com os educadores de Reggio Emilia (1998), as crianças são nômades, transformadoras de espaços, móveis e materiais, não brincam de casinha de boneca só na casinha de boneca; não cantam e dançam apenas no espaço de música, etc. Vale observarmos, inclusive, como usam de forma plástica o chão, as paredes, as cadeiras, fazendo pistas, demarcando territórios que se tornam salão de beleza, casinha, consultório médico, castelo, etc.
No contexto das creches, em nossa experiência brasileira, é comum que as salas de atividades das crianças sejam as mesmas onde elas dormem e comem. Assim, o berço e a cadeira de alimentação tornam-se mobiliários que se prestam não só ao sono e à alimentação. As crianças ressignificam esses objetos em suas relações com eles, expandindo suas funções.
Assim, os berços podem ser mediadores do contato das crianças entre si, se são organizados de modo a favorecer troca de olhares, toques, objetos. As cadeiras tornam-se esconderijos, etc. Também os panos e colchonetes, ao mesmo tempo em que servem de apoio para que as crianças se sentem, engatinhem e explorem o chão, ganham novos sentidos quando se tornam suportes para brincar de esconder, ou quando se prestam a serem empilhados e derrubados, sucessivas vezes.
Na realidade das escolas de Educação Infantil, onde a presença de mesas e cadeiras marca uma preocupação com o “ensino”, a transmissão, a concentração, é importante observarmos que, ao lado do uso formal destes artefatos, as crianças transformam mesas em esconderijos, cadeiras em trens, ou em aviões.
Por conseguinte, é importante acompanhá-las, observá-las, no sentido de fortalecer suas recomposições dos espaços. Torna-se questão para os educadores: como incentivar o salão de beleza com outros materiais? Como as outras atividades que precisam das cadeiras podem não “destruir” o castelo que as crianças fizeram com elas? Por outro lado, é importante não perder de vista os limites também inerentes às relações sociais. Espaços e objetos podem ser transformáveis até o ponto em que não atropelem as relações vigentes e necessidades coletivas. Por exemplo, um pote de tinta azul talvez não possa transformar-se num rio pela questão do desperdício, da relação com os materiais. Isso pode ser conversado, outras soluções inventadas.
De qualquer modo, tanto num campo como no outro, na creche e na escola, trata-se de considerar até que ponto abrimos espaço para a plasticidade, para a expansão criativa das crianças, para a recriação das regras. É claro que isso tem limites e eles se relacionam com a conservação dos objetos, necessidade de organização coletiva, dentre outros necessários contornos que a vida em sociedade exige. No entanto, no trabalho com as crianças de 0 a 6 anos, é urgente, a cada dia, refletir sobre a tensão entre regra e flexibilidade, uso formal dos objetos e recriação de suas funções.

Espaço relacional:
É importante refletir também sobre: como o espaço acolhe e sustenta os relacionamentos entre as crianças? Acolher não é somente ser gentil, não se trata só de produzirmos um espaço aconchegante e gostoso (o que também é fundamental), mas, sobretudo, de considerarmos como o espaço sustenta os planos das crianças e as interações que desenvolvem. Os cantinhos que criam – nos mochileiros, na casinha etc. – para pequenas trocas e encontros, são permitidos? A disposição dos objetos favorece a formação de subgrupos e a criação de cenas e dramatizações?
De acordo com o trabalho em Reggio Emilia:

As crianças e os adultos precisam pertencer a um grupo social para comparar idéias e dividir experiências com os outros. A proximidade cria vínculos que permitem cada um reconhecer a si e ao outro (...). Trata-se da comunidade como internalização do outro como um valor (...). Comunidade é uma qualidade do espaço que encoraja encontros, trocas, empatia e reciprocidade (Reggio Children, 1998, p. 21).

Algumas pesquisas realizadas em instituições de educação na cidade do Rio de Janeiro buscaram investigar como as crianças transformavam espaços em lugares, como meninos e meninas desenvolviam relacionamentos nos espaços. Perceberam que quando se movimentam livremente no espaço, as crianças tendem a formar subgrupos (onde acontecem trocas de objetos, negociações). Pode-se ver fortemente a força narrativa nestas experiências. Espaços e objetos catalisam encontros e favorecem a expressividade. Numa das publicações das pesquisas italianas, é narrada em imagens a história de duas crianças, Mateo e Katherine. Reproduzimos aqui a cena em palavras, para que possamos perceber como a qualidade do espaço apóia a formação de duplas e subgrupos, aprendizagem e comunicação: as duas crianças dançavam, envolvendo-se em tules que mudavam suas formas de acordo com o movimento que faziam. Eles começaram uma imitação recíproca. O mútuo entendimento se tornava cada vez mais refinado, até o ponto em que um único olhar era suficiente para decidirem que iriam se envolver em um único véu, criando um tipo de nicho para a brincadeira que envolvia olhar e imitação. O prazer naquela situação não passou despercebido pelo grupo que estava ali em torno. As outras crianças foram atraídas pela performance, divertindo-se e tornando-se a audiência. Logo os dois perceberam a audiência, voltando-se em sua direção. A audiência participa cada vez mais ativamente. Ficaram tão envolvidos que os dois protagonistas acolheram o grupo no seu jogo. Poucas palavras foram proferidas, mas o entendimento mútuo foi profundo. A brincadeira foi enriquecida e variada com a inclusão de novos parceiros. Todos perceberam e participaram das convenções criadas: transparência, ver e não ver, o som/vozes que acompanham os movimentos, etc.
A presença dos tules e a força da interação da dupla mobilizaram o grupo, produzindo comunicação e criação de novos sentidos pela mediação de gestos, olhares, risos e expressões faciais. Tudo isso foi fortalecido com o registro da cena pela professora (sob a forma de fotografias), chamando a atenção para os relacionamentos emergentes.
De modo geral, de acordo com as pesquisas italianas já citadas, nestes movimentos livres no espaço, as crianças se encontram, formam duplas, trios e subgrupos, geradores de histórias e dramatizações diversas. Nestes contextos, meninos tendem a ser mais nômades (buscam pulos, saltos, corridas); e as meninas tendem a construir “lugares nos lugares” (demarcando limites para formar suas histórias). Conseqüentemente, torna-se desafio para os educadores tanto desafiar as meninas em movimentos mais largos e convidar os meninos para as cenas das meninas, quanto oferecer possibilidade para que o nomadismo aconteça e os “lugares nos lugares” possam ser formados. No primeiro caso, trata-se de garantir o espaço amplo para a expansão corporal; no segundo caso, pensar na oferta de poucos elementos de diferentes materiais que possam ser transportados e favoreçam a construção de lugares (panos, almofadas, etc.).
No cenário das creches brasileiras, é comum que os espaços dos berçários sejam ocupados principalmente por berços e os espaços das crianças maiores, por mesas e cadeiras. São mobiliários que sugerem a atividade individual: berços para uma criança, cadeira para cada uma. Essa situação desafia-nos a pensar como constituir a idéia de um espaço relacional em nossa realidade. Tendo em vista o tamanho padrão dos berços, é preciso um para cada criança? Ou podemos usá-los em duplas, abrindo mais espaço livre no chão e oportunidade de as crianças interagirem com os parceiros num mesmo berço? É possível ter um espaço só para o sono, diferente do espaço de brincar? Quando há um espaço de brincar, ele se organiza de modo a favorecer a interação de subgrupos, em cantos e nichos, ou é um grande espaço livre, com brinquedos no alto das estantes? É importante pensarmos os colchonetes, brinquedos e outros dispositivos materiais das creches como mobilizadores de contato, favorecendo que as crianças se encontrem, troquem olhares, objetos e sentidos.
A idéia do espaço como suporte aos relacionamentos implica, também, a relação entre o espaço educativo e o espaço da cidade: como os dois se interpenetram e dão suporte um ao outro? O “lado de fora” da creche e da escola de Educação Infantil são sentidos pela criança como espaços da instituição? Ou, como espaços que favorecem e acolhem a continuidade de suas experiências? É um desafio para nossa realidade viver a cidade como oportunidade de interação com a cultura, a natureza, a vida, ampliando as relações que acontecem entre as paredes dos prédios institucionais.

Espaço instigador:
As investigações dos italianos, já citadas, também focalizam a seguinte questão: como as crianças usam o canal sensório no espaço? Como a diversidade de formas, cores, texturas, tamanhos mobilizam múltiplas possibilidades na construção de cenários para as narrativas?
No contexto destas questões, observando a relação das crianças com os materiais disponíveis, uma série de estratégias foi sendo criada. Por exemplo, o uso da luz artificial. Os pesquisadores perceberam que uma faixa de luz delimita cenário para dramatizações.
Retroprojetores simples, ou pequenos focos de luz numa sala escurecida, criam ambientes para jogos de sombra diversos. Eles enfatizam que percepções sensoriais são refinadas quando a criança pode explorá-las e expressá-las (por isso a importância da luz, cor, acústica, beleza e diversidade no espaço).
Então, indicam a importância de atentar para a qualidade evocativa dos materiais. Por exemplo, pequenos canos de PVC, focos de luz, cones de plástico, e muitos outros materiais (que tantas vezes sobram nas obras e no comércio da cidade) são mobilizadores do potencial sensível e construtivo das crianças. Ainda, enfatizam muito a importância da diversidade de planos nas produções (bi e tridimensional); tamanhos; imagens; qualidade dos materiais.
Os espaços convidam à ação e à imaginação, por isso a importância de o educador funcionar quase como um cenógrafo, possibilitando as cenas que serão criadas pelas crianças, ajudando a que essas cenas possam ser sustentadas e ampliadas.
A diversidade de materiais é um desafio para a realidade brasileira. De modo geral, os espaços da creche e das escolas de Educação Infantil são povoados pelos brinquedos tradicionais (bolas, encaixes, quebra-cabeças, etc.). Com certeza, eles são fundamentais e instigadores.
Mas, há uma série de outras possibilidades que, muitas vezes, permanecem invisíveis: almofadas, diferentes cerdas de escovas, farinhas, caixas de papelão, etc. Objetos do cotidiano de nossa vida social, às vezes, interessam mais às crianças do que os que são produzidos para elas; é importante ficarmos atentos a isso, ampliando suas possibilidades de interação e contato com superfícies, formas e texturas.
O espaço e os objetos que o constituem instigam pelo que convidam. Às vezes convidam ao deslocamento, às vezes à observação. Colocar pequenos pedaços de madeira em um buraquinho, compor uma casa com as folhas das árvores, fazer casas com caixas, capas com jornal são possibilidades de descobrir nos objetos sentidos novos, pelo que eles sugerem.
Cabe ao educador atentar para o encontro das crianças com os objetos e os espaços, compreendendo e mapeando as possibilidades que daí surgem.
Enfim, finalizamos com as palavras de um dos idealizadores do trabalho nas creches e escolas de Reggio Emilia. Ele sintetiza, de forma emblemática, as diversas dimensões da importância do espaço no projeto pedagógico que realizam, instigando e inspirando nossa realidade:

[...] Valorizamos o espaço devido a seu poder de organizar, de promover relacionamentos agradáveis entre as pessoas de diferentes idades, de criar um ambiente atraente, de oferecer mudanças, promover escolhas, e a seu potencial para iniciar toda a espécie de aprendizagem social, afetiva, cognitiva. Tudo isto contribui para uma sensação de bem-estar e segurança nas crianças...” (Loris Malaguzzi, apud Gandini, 1999, p.157).

Fonte: Retirado do texto: Salto para o futuro: O cotidiano da educação infantil Boletim 23 novembro de 2006. Secretaria de educação à distância, ministério da educação, TV Escola.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Organização do espaço


 
O espaço físico é um grande aliado dos educadores na educação de crianças pequenas. É necessário investir tempo, energia e algum recurso para assegurar o bem-estar físico, a segurança, as aprendizagens e principalmente o conforto nos Centros de Educação Infantil.
Há diferentes formas de organizar os ambientes educativos para que eles possam tornar-se aconchegantes, seguros e desafiadores ao mesmo tempo.
A seguir damos algumas sugestões. Cantos de atividades diversificadas. Organizar diferentes atividades, por um período do dia, em um mesmo ambiente é uma possibilidade bem interessante. Quando a sala é organizada em “cantos” configura-se uma estratégia de organização e planejamento de atividades que possibilita ao professor conhecer melhor as crianças, acompanhá-las em suas aprendizagens, observar as suas necessidades e replanejar sua ação com maior segurança.
O que são:
• Atividades permanentes com frequência diária.
• Organizadas por temas, por materiais, por conteúdos.  
• Organizadas pelo adulto e pelas crianças.
• Permitem que as crianças escolham o que fazer.
• Permitem que as crianças escolham seus parceiros para brincar.
Princípios norteadores:
• Respeito às escolhas das crianças.
• Incentivo à autonomia.
• Ampliação cultural.
Ações do professor:
• Viabilização de interações frutíferas entre as crianças, e entre elas e os objetos.
• Acesso a materiais e produções da cultura.
• Equilíbrio entre a constância de materiais e a diversidade.
• Incentivo à individualidade e aos agrupamentos.
• Incentivo à descoberta de cantos desconhecidos.
• Observação da atuação infantil.
O que as crianças aprendem:
• Escolher, tomar decisões.
• Agir com pouca ajuda do professor, em parceria com outras crianças ou sozinha.
• Cooperar, compartilhar.
• Brincar, imaginar, construir cenários lúdicos, papéis para o jogo simbólico.
• Colocar e negociar seus interesses e necessidades.
• Cuidar da organização do ambiente e dos materiais.
Possibilidades de cantos:
• Ambientes para brincar de faz-de-conta (alguns exemplos):
– heróis;
– príncipes e princesas;
– lojinha;
– escola;
– casinha;
– salão de beleza para meninos e meninas;
– feira;
– supermercado;
– papelaria;
– caminhoneiro;
– peão.
• Ambientes para expressar-se graficamente:
– desenho com papel e caneta hidrográfica e/ou giz de cera, lápis de cor;
– pintura;
– colagem;
– modelagem.
• Ambientes para ler:
– canto com livros de poesia, jornais, enciclopédia, contos de fadas, gibis.
• Ambientes para jogar:
– jogo de percurso, de memória, quebra-cabeça, baralho etc.


Perguntas frequentes:

O que a organização de cantos de atividades diversificadas oferece às crianças?
Essa modalidade de organização da sala ensina a criança a escolher e tomar decisões, responsabilizando-se por suas escolhas. É um momento privilegiado no qual ela pode agir de forma mais autônoma, justamente porque o professor abre mão de dirigir a atividade que está sendo proposta, compartilhando com as crianças a própria organização/coordenação da atividade. Nesse momento cabe às crianças a organização da sala, dos materiais, da escolha do que fazer, da negociação pela posse de brinquedos etc., com a ajuda do professor. Assim as crianças aprendem a cooperar, compartilhar, agir por conta própria.
A organização da sala em cantos de atividades diversificadas não deixa de ser por si só um importante aprendizado para as crianças: aprendem a transformar o próprio ambiente e a saber que muitos mundos cabem numa simples sala de grupo! Podem virar as mesas ao contrário e enrolar um pano em volta para formar um barco ou então empilhar mesas viradas ao contrário umas sobre as outras e passar um barbante circundando os pés da mesa virados para cima para fazer uma barraca de feira; é possível colocar almofadas aconchegantes num canto para ler; podem delimitar um pedaço de chão com caixotes para fazer uma pista para arremessar bolinhas de gude sem deixar espalhá-las pela sala; enfim, possibilita muitas propostas que ocorrem ao mesmo tempo.
A organização dos cantos de atividades diversificadas não é só um momento de aprendizagem da criança, é também do professor, que aprende a segurar seu impulso de estar sempre dirigindo e controlando a situação. Ele permite que as crianças dêem conta de gerenciar o momento. Esta forma de organização possibilita que o professor observe melhor as crianças, suas potencialidades e dificuldades, já que está mais disponível para isso.

Quanto tempo da rotina deve ser destinado aos cantos de atividades diversificadas?
Para responder a esta questão temos que pensar na grade de horários da escola ou do CEI, equilibrar o tempo destinado à roda de conversa, roda de história, momento para realizar as atividades dos projetos e as permanentes.
Assim sendo, um tempo razoável seria entre 50 minutos e 1 hora, no qual as crianças pudessem circular por diversos cantos ou escolher alguns deles para ficar. Um momento que permite a exploração, a dedicação maior a determinadas atividades, sem direção única pelo adulto, o que às vezes pode tornar uma atividade improdutiva, repetitiva ou cansativa. É sempre bom terminar uma atividade com gosto de “quero mais” para o dia seguinte. Poder ter uma constância de propostas que vão sendo incrementadas ao longo do tempo ajuda as crianças a aprofundar seus conhecimentos, tanto no que diz respeito à natureza lúdica das propostas quanto aos conhecimentos que lhes são proporcionados na interação com os objetos e as outras crianças.

Por que reservar um momento diário para tal finalidade?
Reservar um momento diário permite que as crianças aprendam a tomar decisões, compartilhar, realizar escolhas, e também se apropriem mais do espaço da sala, uma vez que ajudam a construir os cantos, organizando-os e incrementando- os com suas idéias e propostas.
Algumas professoras, quando fazem essa pergunta, acham que podem substituir o espaço diário dessa proposta (cerca de 1 hora), por um único dia da semana destinado inteiramente aos cantos de atividades diversificadas. Entretanto, é melhor a constância da proposta em menor tempo, até para compartilhar com outras tantas atividades necessárias no dia-a-dia, do que desenvolver a proposta num dia inteiro. É importante intercalar momentos nos quais a condução da sala seja realizada apenas pelo professor com outros, compartilhados com as crianças. (Essa proposta não se confunde com a das salas ambientes, na qual cada sala possui uma proposta específica, de tal forma que as crianças rodiziam, em grupo, durante o dia em cada uma delas.)

 “Não tem material na minha escola para fazer cantos de atividades diversificadas.” O que fazer?
Mais do que material, é preciso ter propostas e ideias. Muito da falta de material diz respeito à falta de ideia do que fazer em sala com o grupo.
O professor está tão acostumado com lápis e papel que tem pouca intimidade com outros materiais. Faz-se necessário retomar suas próprias brincadeiras de infância, lembrar o quanto se improvisava com qualquer recurso disponível.
Assim sendo, por exemplo, sobras de uma marcenaria podem compor um divertido jogo de monta - tudo. Essa proposta é incrementada agregando-se a ela livros de castelos, de parques em diferentes países, para que as crianças tenham que bolar, com os retalhos de madeira, construções variadas. Com esses mesmos retalhos e cola é possível fazer móveis para casinha de bonecas.
As crianças podem colar E.V.A., tecidos, sobre as madeiras para compor diferentes móveis. Pode-se ainda sugerir que com os mesmos retalhos façam uma pista para rolagem de pião, ou então que construam a torre mais alta que conseguirem e medirem a altura para colocar em um livro de recordes; enfim, o professor precisa desenvolver sua criatividade, sondando com as crianças suas preferências para propor ao grupo outras possibilidades de explorar os cantos de atividades diversificadas.

Espaço das salas de grupos
Sugestões de materiais para as salas de crianças de 4 meses a 2 anos
• Mural, da altura das crianças, organizado para usos diversos, contendo:
– fotos das crianças, trazidas de casa e ou feitas na escola, identificadas com o nome de cada uma delas;
– fotos das crianças em diferentes situações sociais (aniversários, passeios, com animais de estimação, com familiares);
– reprodução das capas dos livros que foram lidos ou das histórias que foram contadas;
– imagens instigantes e visualmente interessantes do ponto de vista estético.
• Calendário de uso social para marcação de:
– aniversariantes da turma;
– compromissos e combinados especiais.
• Relógio comum de uso social, como um portador numérico para que as crianças observem o seu uso pelo educador.
• Brinquedos que possam ser levados à boca sem perigo (de plástico ou de borracha com selo do Inmetro).
• Brinquedos que produzam som (chocalhos).
• Brinquedos de empilhar e encaixar (blocos, cubos).
• Brinquedos de correr atrás (bolas, cilindros).
• Colchonetes e almofadas (com capas laváveis).
• Móbiles e estábiles (as salas podem ter muitos ganchos em diferentes lugares para pendurar panos, tules, cortinas sonoras etc.).
• Tapetes de atividades com bolsos, guizos, espelhos, quadros de panos de diferentes texturas.
• “Estante” para livros, tipo sapateira, com bolsões transparentes para que as crianças identifiquem os livros de histórias.
• CDs com música de diferentes gêneros.
• Espelho de tamanho suficiente para que duas ou três crianças possam se ver inteiras.
• Obstáculos que provoquem diferentes movimentos: subir, descer, trepar, agachar, arrastar, escorregar.
A organização do espaço educativo reflete as concepções de criança, ensino e aprendizagem das instituições. As formas como as salas estão organizadas a disposição dos móveis, a acessibilidade aos brinquedos, aos livros, a exposição ou não das produções infantis, a “decoração” são indícios reveladores sobre como as crianças são vistas e consideradas.
• Cantos diversos:
– de brinquedos e jogos, organizados de acordo com os usos das crianças;
– ambientados para o jogo de casinha e os demais jogos de faz-de-conta preferidos da turma;
– com locais reservados ou reversíveis para momentos de repouso, sempre muito flexíveis nos primeiros anos de vida;
– confortáveis, forrados com tapete, placas de E.V.A. ou outro piso confortável que permitam a acomodação das crianças em roda para o bate-papo diário;
– materiais de construção: blocos de madeira, caixas de papelão, Lego®, monta - tudo e outros;
– bonecas e seus acessórios: mamadeira, fraldas para trocar, banheira, sabonete, toalha, pente, roupas etc.;
– com mesas e cadeiras para atividades que requeiram uma acomodação diferente e permitam práticas como desenho, modelagem com massinha etc.;
– com livros de histórias, poesias, cantigas etc.;
– com tapete, esteira, almofada ou outro piso que delimite o espaço e transmita uma sensação de conforto.
• Local para pendurar mochilas e pertences pessoais devidamente identificados.
• Mural para os recados da professora: lembretes, restrições alimentares das crianças, recomendações para o preparo de mamadeiras, receita médica de alguma criança etc.

Sugestões de materiais para as salas de crianças de 3 a 5 anos
• Vários murais ou um mural organizado para usos diversos, como:
– exposição de produções infantis, devidamente identificadas;
– fixação ou exposição de produções de crianças ou materiais que estão sendo pesquisados num determinado momento do ano;
– os recados da professora (lembretes, receita médica de alguma criança etc.);
– painel de fotos da turma.
• Lista de nomes das crianças da turma (cartaz com filipetas escritas em letra-bastão, de uma só cor, mesmo padrão de tamanho para todos os nomes, sem fotos ou outras imagens).
• Lista dos aniversariantes da turma.
• Calendário.
• Agenda de compromissos e registro da programação diária para ser utilizada pelas crianças.
• Relógio.
• Estante de brinquedos e jogos, devidamente identificados para facilitar o uso pelas crianças.
• Espaço para a ambientação do jogo simbólico da turma (a própria sala pode ser ambientada segundo os temas estudados).
• Cantos de materiais para jogo simbólico.
• Estante ou caixa com materiais de uso coletivo contendo:
– canetas variadas;
– borracha;
– lápis variados;
– réguas;
– clipes;
– prendedores;
– barbante;
– fita crepe e durex.
• Biblioteca de sala (estante, painel com bolsos ou outras soluções) contendo, de maneira organizada:
– livros;
– revistas;
– gibis;
– jornais;
– catálogos diversos;
– painel para fixar as sugestões de leitura das próprias crianças, bem como artigos de jornal, de interesse da sala;
– tapete, esteira, almofada ou outro piso que delimite o espaço e transmita uma sensação de conforto.
• Na ausência de espaço para a roda, é preciso pensar em acessórios tais como esteiras, placas de E.V.A., almofadas ou outros materiais que permitam a organização de uma roda com todos os integrantes da turma para os momentos de bate-papo, de programação do trabalho em grupo etc.
• Local para pendurar mochilas e pertences pessoais, devidamente identificados.
Materiais alternativos
• Jogos confeccionados pela professora para as crianças.
• Jogos confeccionados pelas crianças.
• Brinquedos confeccionados pela professora para as crianças menores.
• Brinquedos construídos pelas crianças.
• Ateliê móvel.
• Cadeira-boneco e outras esculturas de montar.
• Móbiles e outros penduricalhos.
Espaço de parque
Sugestões de brinquedos de parque
• Canto de areia.
• Balde, pás e outros acessórios para brincar na areia ou na terra.
• Bacias, minipiscinas com água para brincar com barquinhos ou para molhar a areia.
• Regadores e funis.
• Caixa com potes e outras sucatas.
• Bolas.
• Cordas.
• Bambolês.
• Brinquedos para o faz-de-conta.
• Tecidos coloridos para cabanas.
• Cata-vento.
• Caixa com giz para riscar amarelinha.
• Tocos de madeira para montar pistas e caminhos com obstáculos.
• Pneus coloridos com furos para evitar o acúmulo de água.
• Canto com vasos ou jardim.

Fonte/Referência:
- Trecho do Programa Capacitar Educadores/Instituto Avisa Lá/Institute C&A.

Proposta de interações e brincadeiras: Caça ao tesouro sensorial

Campos de experiências: * Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento: * Classi...