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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Meninos de todas as cores de Luísa Ducla Soares

Era uma vez um menino branco chamado Miguel, que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:
É bom ser branco
porque é branco o açúcar, tão doce,
porque é branco o leite, tão saboroso,
porque é branca a neve, tão linda.

Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos eram amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus, que, como todos os meninos amarelos, dizia:
É bom ser amarelo
porque é amarelo o Sol
é amarelo o girassol
mais a areia da praia.
O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos eram pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador chamado Lumumba que, como os outros meninos pretos, dizia:

É bom ser preto
como a noite
preto como as azeitonas
preto como as estradas que nos levam para
toda a parte.

O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos.

Escolheu para brincar aos índios um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:
É bom ser vermelho
da cor das fogueiras
da cor das cerejas
e da cor do sangue bem encarnado.

O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Babá, que dizia:

É bom ser castanho
como a terra do chão
os troncos das árvores
é tão bom ser castanho como um chocolate.
Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:
É bom ser branco como o açúcar
amarelo como o Sol
preto como as estradas
vermelho como as fogueiras
castanho da cor do chocolate.

Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.

Conto: O mistério do velho casarão.

Perto do rio existia um casarão muito antigo...
Ele estava abandonado há mais de 100 anos...
Sempre que ia passar as férias na casa de sua Avó, ele olhava admirado para aquela grande e misteriosa casa e dizia:
- Aposto que ali tem um Mistério..

Aquele menino adorava passar as férias na casa de sua Avó.
Ele gostava de subir num morro que tinha lá, e ficar olhando os meninos de uma Favela brincando com suas pipas.
- Minha Vó, disse que eles moram aí, porque não tem pra onde ir. Não sei como aquelas casas não caem lá de cima...
Do mesmo morro, ele podia ver uma coisa que o deixava muito triste e abatido.
Era um lixão, onde os meninos da favela, catavam coisas para vender, e também restos de comida.
E ele pensava:
- Pra comer comida do Lixo, só mesmo quem está com muita fome...
Mas, como ele estava de férias, precisava se divertir também.
Então ele foi brincar com sua Pipa. Aquela era a sua brincadeira favorita.
Corria pelo mato, descansava um pouco. Corria de novo, e no fim da brincadeira, ficava com tanta fome, que repetia o prato.
Sua Avó adorava isso.
Então, uma tarde, o cordão da sua Pipa se quebrou e ela voou para longe.
Ele desesperado correu tentando alcançá-la.
- Preciso pegá-la de volta. Vou atrás e quando ela cair eu pego - ele disse
E correu atrás, sempre olhando para cima, para não a perder de vista.
É claro que ele não conseguiu reaver sua Pipa.
Quando olhou em volta, percebeu que estava em um lugar, onde nunca estivera antes.
Então, ao olhar para baixo, viu uma coisa que o deixou intrigado.
Era um pequeno Rolo de papel amarrado com uma fita, e com uma parte enterrada no chão.
- Deve ter sido a enchente de ontem que o desenterrou - Ele disse enquanto se abaixava para ver o que era.
Ao abrir o pequeno Rolo, ele percebeu que havia achado uma espécie de Mapa.
E quase sem voz de tão surpreso, ele exclamou:
- Essa não, é um verdadeiro Mapa de um Tesouro!
Então, ao examinar o Mapa, ele disse espantado:
- Aqui diz, que lá no Velho Casarão abandonado existe um Tesouro escondido!
Assim, Sem perder tempo, ele saiu pelo mato em direção ao Velho Casarão.
Ao avistá-lo de cima de um morro, ele sentiu um calafrio.
Mas, como ele estava muito decidido, disse:
- Vou achar esse Tesouro de qualquer jeito!
Então, ele desceu devagar do morro, e logo chegou no pátio em ruínas da Velha Casa.
- Puxa, ela é bem maior do que eu pensava - disse admirado.
Antes de entrar, ele deu mais uma olhada no Mapa, e disse:
- Aqui diz que o Tesouro está lá dentro, encondido num quarto secreto.
Assim, ele enrolou o Mapa, e empurrou a imensa porta da Casa.
Ao abrir, a porta fez um barulho tão esquisito, que ele gelou e quase desistia de entrar.
Ele ficou espantado com o tamanho da Casa por dentro.
Viu que tudo estava em ruínas, e que havia muitas coisas quebradas, espalhadas pelo chão.
Ele então pensou consigo mesmo:
- O que será que aconteceu aqui pra tudo estar abandonado e em ruínas...
Como a luz do Sol entrava pelos buracos no telhado, lá dentro não estava muito escuro.
Ele procurou uma mesa, abriu o Mapa sobre ela, e pensou:
- Preciso dar mais uma olhada no Mapa, para saber o que devo fazer agora, já que estou dentro da Casa... Humm, aqui diz vá pelo corredor que tem a parede Verde, ache a passagem secreta, e procure a parede com uma Argola...
Não demorou muito para ele achar o corredor de parede Verde.
Quando ele começou a andar pelo corredor, pisou numa tábua solta, e esta acionou um mecanismo, que fez abrir uma passagem secreta na Parede ao seu lado.
Ele levou o maior susto, quando viu uma parte da Parede, se abrir sozinha. Então exclamou entusiasmado:
- Só pode ser o quarto secreto...
Ele entrou no quarto secreto, e viu que o mesmo era, um depósito muito antigo, das coisas da Casa.
Outra coisa que ele viu, foi logo abaixo da escadaria, um grande paredão, com uma grande Argola presa nas pedras.
Então, muito contente, ele disse:
- É a parede de pedra, e a Argola que o Mapa descreve...
Ele Mal via a hora de achar o Tesouro escondido.
Como já sabia o que fazer, subiu sobre uma pedra junto da parede da Argola, e disse:
- Conforme está no Mapa, basta puxar com força a Argola, e algo vai acontecer...Vamos lá...
E usando toda sua força, puxou a grande argola. Uma Pedra começou a sair do Paredão.

Quando a Pedra caiu da Parede, ele viu que ela escondia um compartimento secreto.
Ao olhar lá dentro, ele mal pode respirar com o que viu...
Eram vários pequenos Baús todos de Ouro, recheados com centenas de moedas de Ouro e outras Jóias, e quase sem voz disse:
- É o T-Te-Tesouro Perdido...
E ele decidiu:
- Agora já posso ajudar as Crianças lá do Lixão, e também suas Famílias, e minha Vó, Meu Pai, minha Mãe...

Assim, ele colocou parte do Tesouro em um saco, e pensou:
- Vou ter que fazer várias viagens para conseguir levar tudo, mas com calma e paciência, eu consigo...

Conto: Os mistérios da noite de Jon Talber

À noite, quando todos parecem dormir, apesar do pouco movimento, nas ruas desertas, nos becos escuros, nas casas abandonadas, coisas misteriosas acontecem...

E os muitos sons, sem que se saiba de onde vêm, é uma prova de que nem todos estão dormindo.

São muitos ruídos! Grandes, pequenos, minúsculos. Alguns, se estivermos bem atentos, podemos identificar com facilidade, outros não...

Aquela era apenas mais uma dessas noites.

Tudo quieto. Lá longe, ouvia-se o barulho do motor de alguns carros, o canto de um grilo...

As ruas logo ficariam completamente desertas, e as luzes das casas seriam todas apagadas.

Aí sim, todos poderiam dormir tranquilos...

Em sua cama, depois de escovar os dentes, depois de conferir seu material escolar e já deixar sua mochila arrumada para o dia seguinte, aquele menino dormia profundamente.

Talvez até estivesse sonhando com alguma coisa. Bom, isso não tem como saber...

Mas aquele sono parecia muito bom...

Então, de repente, sem saber o motivo, ele acordou...

Um ruído estranho o despertara. Abriu os olhos assustado sem compreender muito bem o que estava acontecendo.

O barulho, para falar a verdade bem alto, parecia vir de algum lugar ali perto. Só não dava para dizer se viera de dentro, ou de fora da casa.

Mas, uma coisa era certa, ele tomou um grande susto!

Ainda permaneceu quieto alguns instantes, de orelhas em pé, esperando que o ruído se repetisse.

Sentou-se na cama e ficou tentando escutar mais alguma coisa. Qualquer barulhinho que lhe desse uma pista do que havia acontecido, já lhe servia.

E assim ficou por um bom tempo. Olhou para porta do quarto e viu que estava fechada.

"O que será que aconteceu? Quem, ou o Que, fez esse barulho?", perguntou para si mesmo.

Então sua cabeça entrou em ação. Sua imaginação, agora, já começara a criar suas próprias respostas...

Ela o fez Lembrar-se das assombrações que andavam tarde da noite, que entravam nas casas, quando todos estavam dormindo, procurando crianças, para assustá-las...

Pelo menos era isso que estava naquelas "histórias", que os adultos contavam para fazer as crianças dormirem cedo. Bom, ele não era mais tão pequeno assim, mas, Será que tudo aquilo não era verdade?

Lembrou que o barulho poderia ter vindo do beco que ficava próximo à sua casa.

Lembrou das estórias do "Papa-Figo", ou "Velho do Saco", que raptava crianças, entrando nas casas silenciosamente, quando todos estavam dormindo, ou descuidados...

Contava-se que ele não fazia barulho algum. "Mas, pode ser que dessa vez, andando naquele escuro todo, ele tenha se descuidado um pouco!", pensou sentindo um calafrio pelo corpo.

Tomado de coragem, resolveu ir olhar pela janela do seu quarto, para ver se conseguia descobrir alguma coisa lá fora.

Como era noite de lua clara, se tivesse alguma coisa lá fora, pelo menos no beco que ficava perto da sua casa, poderia ver.

E sua mente não parava de pensar as mais assustadoras coisas. Ele sabia que, enquanto não descobrisse a "verdadeira" causa do barulho, ela não o deixaria dormir outra vez!

Pela janela, morto de medo, percorreu com os olhos os latões de lixo que ficavam guardados no beco até que o caminhão da coleta passasse, tomando cuidado para não ser visto.

Por trás da cortina da janela, escondido, viu que alguma coisa se mexia em meio aos latões de lixo.

Esfregou os olhos para clarear a visão, e então, como num passe de mágica, pôde ver quem era o o misterioso causador daquele ruído que lhe tirara o sono.

Era um Gato! Sim, apenas um simples gato.

Que agora, ao vê-lo na janela, já que eles enxergam no escuro, começou a miar quebrando o silêncio da noite.

"Que coisa!", disse então para si mesmo.

A sensação de alívio que sentiu foi imensa.

Nesse momento, lembrou de como sua imaginação o enganara criando aqueles medos que não existiam de verdade. Nessas horas, Mas parecia que ela era sua inimiga, pois ao invés de acalmá-lo, só cuidava de assustá-lo ainda mais, mesmo sem existir um motivo para isso.

"Aprendi mais uma! De outra vez, antes de me assustar sem conhecer a causa, pensarei duas vezes, ou mais!", disse aliviado em voz alta.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Conto de Ananse

Ananse
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Ananse, ou Anansi, é uma lenda africana. Conta um caso interessante, no qual no mundo antigo não havia histórias e por isso viver aqui era muito triste.

Houve um tempo em que na Terra não havia histórias para se contar, pois todas pertenciam a Nyame, o Deus do Céu. Kwaku Ananse, o Homem Aranha, queria comprar as histórias de Nyame, o Deus do Céu, para contar ao povo de sua aldeia, então por isso um dia, ele teceu uma imensa teia de prata que ia do céu até o chão e por ela subiu.
Quando Nyame ouviu Ananse dizer que queria comprar as suas histórias, ele riu muito e falou: - O preço de minhas histórias, Ananse, é que você me traga Osebo, o leopardo de dentes terríveis; Mmboro os marimbondos que picam como fogo e Moatia a fada que nenhum homem viu.
Ele pensava que com isso, faria Ananse desistir da idéia, mas ele apenas respondeu: - Pagarei seu preço com prazer, ainda lhe trago Ianysiá, minha velha mãe, sexta filha de minha avó.
Novamente o Deus do Céu riu muito e falou: - Ora Ananse, como pode um velho fraco como você, tão pequeno, tão pequeno, pagar o meu preço?
Mas Ananse nada respondeu, apenas desceu por sua teia de prata que ia do Céu até o chão para pegar as coisas que Deus exigia. Ele correu por toda a selva até que encontrou Osebo, leopardo de dentes terríveis. - Aha, Ananse! Você chegou na hora certa para ser o meu almoço. - O que tiver de ser será - disse Ananse - Mas primeiro vamos brincar do jogo de amarrar? O leopardo que adorava jogos, logo se interessou: - Como se joga este jogo? - Com cipós, eu amarro você pelo pé com o cipó, depois desamarro, aí, é a sua vez de me amarrar. Ganha quem amarrar e desamarrar mais depressa. - disse Ananse. - Muito bem, rosnou o leopardo que planejava devorar o Homem Aranha assim que o amarrasse.
            Ananse, então, amarrou Osebo pelo pé, e quando ele estava bem preso, pendurou-o amarrado a uma árvore dizendo: - Agora Osebo, você está pronto para encontrar Nyame o Deus do Céu.
           Aí, Ananse cortou uma folha de bananeira, encheu uma cabaça com água e atravessou o mato alto até a casa de Mmboro. Lá chegando, colocou a folha de bananeira sobre sua cabeça, derramou um pouco de água sobre si, e o resto sobre a casa de Mmboro dizendo: - Está chovendo, chovendo, chovendo, vocês não gostariam de entrar na minha cabaça para que a chuva não estrague suas asas? - Muito obrigado, Muito obrigado! zumbiram os marimbondos entrando para dentro da cabaça que Ananse tampou rapidamente.
O Homem Aranha, então, pendurou a cabaça na árvore junto a Osebo dizendo: - Agora Mmboro, você está pronto para encontrar Nyame, o Deus do Céu.
Depois, ele esculpiu uma boneca de madeira, cobriu-a de cola da cabeça aos pés, e colocou-a aos pés de um flamboyant onde as fadas costumam dançar. À sua frente, colocou uma tigela de inhame assado, amarrou a ponta de um cipó em sua cabeça, e foi se esconder atrás de um arbusto próximo, segurando a outra ponta do cipó e esperou. Minutos depois chegou Moatia, a fada que nenhum homem viu. Ela veio dançando, dançando, dançando, como só as fadas africanas sabem dançar, até aos pés do flamboyant. Lá, ela avistou a boneca e a tigela de inhame. - Bebê de borracha. Estou com tanta fome, poderia dar-me um pouco de seu inhame?
Ananse puxou a sua ponta do cipó para que parecesse que a boneca dizia sim com a cabeça, a fada, então, comeu tudo, depois agradeceu: - Muito obrigada bebê de borracha.
          Mas a boneca nada respondeu a fada, então, ameaçou: - Bebê de borracha, se você não me responde, eu vou te bater.
          E como a boneca continuasse parada, deu-lhe um tapa ficando com sua mão presa na sua bochecha cheia de cola. “Mais irritada ainda, a fada ameaçou de novo: - Bebê de borracha, se você não me responde, eu vou lhe dar outro tapa.”
         E como a boneca continuasse parada, deu-lhe um tapa ficando agora, com as duas mãos presas. Mais irritada ainda, a fada tentou livrar-se com os pés, mas eles também ficaram presos. Ananse então saiu de trás do arbusto, carregou a fada até a árvore onde estavam Osebo e Mmboro dizendo: - Agora Mmoatia, você está pronta para encontrar Nyame o Deus do Céu.
Aí, ele foi à casa de Ianysiá sua velha mãe, sexta filha de sua avó e disse: - Ianysiá venha comigo vou dá-la a Nyame em troca de suas histórias.
     Depois, ele teceu uma imensa teia de prata em volta do leopardo, dos marimbondos e da fada, e outra que ia do chão até o Céu e por ela subiu carregando seus tesouros até os pés do trono de Nyame. - Ave Nyame! - disse ele -Aqui está o preço que você pede por suas histórias: Osebo, o leopardo de dentes terríveis, Mmboro, os marimbondos que picam como fogo e Moatia a fada que nenhum homem viu. Ainda lhe trouxe Ianysiá minha velha mãe, sexta filha de minha avó.
      Nyame ficou maravilhado, e chamou todos de sua corte dizendo: - O pequeno Ananse, trouxe o preço que peço por minhas histórias, de hoje em diante, e para sempre, elas pertencem a Ananse e serão chamadas de histórias do Homem Aranha! Cantem em seu louvor!
       Ananse, maravilhado, desceu por sua teia de prata levando consigo o baú das histórias até o povo de sua aldeia, e quando ele abriu o baú, as histórias se espalharam pelos quatro cantos do mundo vindo chegar até aqui.

domingo, 10 de abril de 2011

O macaco e o rabo adaptação de Robson A Santos.



Certa vez, um macaco que pensava em ficar rico colocou seu rabo no meio da estrada por onde passava o carreiro com seu carro de bois. Ficou lá, rabo no caminho, esperando a hora do carreiro passar. E lá vinha o carreiro tangendo seus bois. Quando viu o rabo do macaco, gritou:

- Ei macaco, tira o rabo do caminho.
Ao que o macaco, desaforado, respondeu:

- Não tiro! O rabo é meu e eu deixo onde eu quiser.
O carreiro, com raiva, tangeu seus bois e passou com o carro em cima do rabo do macaco, cortando-o fora. O macaco começou a pular e a gritar com o carreiro:

- Quero meu rabo! Quero meu rabo! Quero meu rabo ou então uma navalha.
O carreiro não tinha como dar conta do rabo e deu-lhe uma navalha velha. O macaco saiu contente:

- Perdi meu rabo! Ganhei uma navalha! Ding-li-ding que eu vou para Angola.
Ia caminhando quando avistou um velho que fazia cestos e cortava o cipó com os dentes.

- Ei amigo velho, fazendo cestos e cortando cipó com os dentes. Use aqui a minha navalha.
O velho achou ótimo e aceitou a ajuda do macaco, mas quando foi cortar o primeiro pedaço de cipó, de tão velha, a navalha quebrou. Quando o macaco viu começou a resmungar e a gritar:

- Quero minha navalha! Quero minha navalha! Quero minha navalha ou então um cesto.
Como o velho cesteiro não tinha como consertar a navalha, deu-lhe um cesto velho. O macaco saiu contente, cantando:

- Perdi meu rabo! Ganhei uma navalha! Perdi minha navalha! Ganhei um cesto! Ding-li-ding que eu vou para Angola.
Ia contente com seu cesto, quando avistou uma moça que assava pães. Tirava os pães do forno e colocava-os no chão.

- Que é isso moça? Fazendo pão e pondo no chão? Toma aqui o meu cesto para por os pães.
Vendo que o macaco tinha razão, a moça aceitou o cesto. Quando colocou os pães, de tão velho, o fundo se abriu. O macaco começou a gritar:

- Meu cesto! Meu cesto! Você estragou o meu cesto. Quero meu cesto! Quero meu cesto ou então um pão.
A moça deu um pão àquele macaco resmungão. O macaco saiu pela estrada cantarolando mais uma vez:

- Perdi meu rabo! Ganhei uma navalha! Perdi minha navalha! Ganhei um cesto! Perdi meu cesto! Ganhei um pão! Ding-li-ding que eu vou para Angola.
Continuou pelo caminho quando encontrou com uma moça tomando café. Chegou perto da moça e ofereceu-lhe o pão. A moça, com fome, aceitou o pão e acabou comendo tudo. Na hora o macaco começou sua ladainha de novo:

- Meu pão! Você comeu todo o meu pão. Quero meu pão! Quero meu pão! Quero meu pão ou então quero uma viola.
A moça não tinha mais pão e acabou dando ao macaco uma viola velha. O macaco abriu um sorriso e começou a cantar:

- Perdi meu rabo! Ganhei uma navalha! Perdi minha navalha! Ganhei um cesto! Perdi meu cesto! Ganhei um pão! Perdi meu pão! Ganhei uma viola! Ding-li-ding que eu vou para Angola! Ding-li-ding qe eu vou para Angola!
E foi-se embora para Angola.

Conto acumulativo ou lenga-lenga.

O conto “O macaco e o rabo” é chamado de conto acumulativo ou lenga-lenga. Eles são contos nos quais os episódios vão se repetindo sucessivamente, o que facilita a memorização por parte das crianças.

Atividade de exploração do conto.

Após contar uma história, é importante conversar com as crianças sobre seu entendimento, o que gostaram, o que não gostaram; desenvolvendo assim a interpretação oral.

Recontado e Sequência Lógica:
  1. Faça pequenos cartões com os fatos ocorridos na história (conjunto de cartões para cada grupo de 3 ou 4 crianças);
  2. Entregue os cartões embaralhados para cada grupo e peça que eles organizem de acordo com a história que ouviram;
  3. Peça para os grupos recontarem, mostrando os cartões.

Fonte: Revista: Guia prático para professoras de Educação Infantil.

A menina e os brincos de ouro de Robson A Santos.



Este é um conto de exemplo, que traz ensinamentos e valores morais por meio do seu enredo. Neste caso, ensina que bens materiais não são mais importantes do que o amor de mãe e a vida.


Era uma vez uma mãe muito brava que tinha uma filha prestativa e amorosa. Um dia a mãe lhe deu de presente um par de brincos de ouro muito lindo e recomendou que ela não os perdesse, senão a castigaria.
Todos os dias, a menina ia buscar água na fonte. Chegando lá, tirava os brincos, colocava-os em cima de uma pedra, brincava na água e depois, ao encher sua moringa, colocava os brincos de novo e voltava para casa.
Um dia, a menina foi buscar água e, ao voltar para casa, esqueceu de pegar os brincos. Quando lá chegou, deu pela falta dos brincos e voltou correndo para buscá-los. De volta à fonte, encontrou ali um velho muito feio e sujo com seus brincos na mão. Pediu que ele os devolvesse, mas o velho riu e disse:
    • Pois sim. Com você vou ganhar a minha vida.
Dizendo isso, pegou a menina e colocou-a dentro de um enorme surrão de juta que ele carregava. A menina gritou, mas o velho disse:
- Fique quieta menina, senão te arrebento com um porrete. De agora em diante, quando eu ordenar, você deve cantar dentro desse surrão, senão vai apanhar.
E assim, em todo lugar onde o velho chegava, apresentava o surrão e cantava:
- “Canta, canta meu surrão, senão lhe bato com o bordão”.
E a menina, com medo respondia:
- “Neste surrão me colocaram e neste surrão morrerei por causa dos meus brincos de ouro que lá na fonte eu deixei”.
As pessoas, espantadas, pois nunca tinham visto um surrão falar, davam dinheiro ao velho. Um dia, o velho parou justamente na casa da mãe da menina que, conhecendo a voz da filha, convidou-o para entrar e almoçar com sua família. Durante o almoço, deram muita bebida ao velho que acabou pegando no sono. As irmãs da menina abriram o surrão e de lá tiraram sua irmã que já estava muito fraquinha. No lugar da irmã, encheram o surrão de lixo e esterco de boi.
A menina disse à mãe que aquilo havia acontecido porque ela tinha esquecido seus brincos na fonte e ficou com medo de levar bronca. A mãe entendeu que nada era mais valioso que o amor que tinha pela sua filha e que os brincos não eram tão valiosos assim.
Quando o velho acordou, agradeceu e continuou sua caminhada. Mas quando chegou em outra casa, o surrão não respondeu e ele começou a bater nele com um porrete. Tanto bateu que o surrão arrebentou e espalhou lixo e esterno por toda a casa. Os donos da casa, muito bravos quiseram dar uma surra no velho, que tratou de correr dali e dizem que corre até hoje.

Atividade de exploração do conto:

Teatro de sombras.

Materiais: cartolina, espetos de churrasco, cola, tesoura ou estilete, 1 caixa de sapato, 1 folha de papel vegetal e uma lanterna.

Como fazer:
    • Recorte o fundo da caixa de sapatos e cole o papel vegetal;
    • Desenhe e recorte na cartolina a silhueta dos personagens do conto. Cole na base de cada personagem um espeto de churrasco que servirá de apoio para segurá-los;
    • Coloque a lanterna no fundo da caixa e, com o espeto, movimente as personagens, enquanto conta a história.

Use sua criatividade e crie novas histórias com as mesmas personagens. Você pode dar continuidade a esse conto, depois que a mãe aprendeu que a vida é mais importante que brincos de outro.

Fonte: Revista Guia Prático para professoras de Educação Infantil.

sábado, 9 de abril de 2011

A lenda da mandioca de Robson A. Santos.


        Quando Cabral chegou ao Brasil, encontrou muitas pessoas e as chamou de índios. Estes, devido aos processos de colonização, foram perdendo suas terras e suas origens, mas contribuíram muito para a formação de alguns hábitos do povo brasileiro, como tomar banho, por exemplo.
        Os índios contavam muitas histórias sobre a origem das coisas e entre elas está a “Lenda da Mandioca”.
        Certa vez, em uma tribo, a filha de um poderoso tuxaua (o chefe) apareceu grávida. Envergonhado, ele expulsou a filha da tribo, condenando-a a viver numa choça na beira do mato. Com dó, os amigos levavam comida e água para ela, que viveu sozinha até dar à luz a uma menina muito branca de pele alva como leite. O chefe, ao ver aquilo, disse que mataria a menina, pois sua cor era sinal de que Tupã não estava feliz. À noite, o tuxaua sonhou com um grande guerreiro branco que disse que sua filha era inocente, que a menina devia viver e o ameaçou com um castigo terrível se ele matasse a própria neta.
        No dia seguinte, ainda atordoado com o sonho, o tuxaua disse que não mataria a menina, que recebeu o nome de Mani e era muito inteligente. Infelizmente, Mani morreu antes de completar um ano, sem nem mesmo adoecer. Foi uma tristeza muito grande e Tupã mandou enterrar o corpo da menina dentro da oca do tuxaua. Assim fizeram, e todos os dias os índios regavam a sepultura, seguindo um antigo costume daquela tribo.
        Passado algum tempo, sobre a cova de Mani nasceu uma planta verde desconhecida, cujas folhas pareciam uma pequena mão. Quando os pássaros a comiam, ficavam embriagados.
        Um dia, a terra rachou ao pé da planta e surgiram raízes de cor marrom. Os índios a colheram, tiraram sua casca e tiveram uma surpresa. Dentro havia uma raiz branca como o corpo de Mani.
        Achando que era um milagre de Tupã, comeram as raízes e prepararam uma bebida chamada Cauim. Os índios passaram a cultivar a tal planta que batizaram de Mandioca ou Manioca, que significa “corpo de Mani”. “Mani” lembra a menina e “oca”, o local onde foi enterrada.

Atividade: Bolo de mandioca.

Ingredientes:
·       1 e ½ quilo de mandioca ralada.
·       4 ovos.
·       2 xícaras de açúcar.
·       200 gramas de margarina (mais ou menos 4 colheres).
·       2 xícaras de farinha de trigo.
·       1 colher de fermento em pó (químico).
·       1 vidro de leite de coco.
·       1 lata de leite condensado.

Modo de preparo:
        Rale a mandioca crua ou triture-a no processador. À parte, bata os ovos com o açúcar e a margarina até ficar homogêneo. Misture a massa da mandioca e continue batendo, acrescentando o leite condensado, a farinha, aos poucos o fermento e, por último, o leite de coco. Asse em uma forma de furo central, untada e enfarinhada, por cerca de 25 minutos ou até que, enfiando um palito de dentes ele saia seco.

Lenda das águas por Robson A. Santos.


     Dizem que, quando a Terra nasceu, os céus choraram de alegria. Desse choro, surgiram os rios, os mares, os oceanos e os lagos. As águas corriam tranquilas para todos os lados, irrigando o solo e ajudando várias espécies de plantas a nascerem, até que os homens começaram a jogar tudo o que não queriam nas águas, pois pensavam que elas levariam o lixo para longe e o local ficaria sempre limpo.
     Não demorou para que os rios e mares ficassem cheios de sujeira, o que deixou o Rei das Águas muito irritado. Ele resolveu, então, pedir ajuda ao Rei Sol para que todas as águas pudessem fazer uma viagem ao céu, abandonando a Terra. Só assim os homens aprenderiam a lição.
     Então, o Sol apareceu forte por dias seguidos, e as águas começaram a subir aos céus em forma de vapor, formando muitas nuvens, até que os rios e os lagos ficaram vazios. Os homens acordaram e não escutaram o som das águas. Tentaram tomar banho, mas não havia água. As plantas começaram a murchar, os animais a morrer. Alguns homens ficaram doentes de tanta sede.
     Foi aí que começaram a perceber que, no fundo dos rios secos, havia um monte de porcarias. Olharam para o que haviam feito e se desesperaram. O que fariam sem água? Cientistas se reuniram para pesquisar algo que substituísse a água, mas descobriram que nada poderia ser feito. Reuniram a população e deram a triste notícia de que sem água eles não sobreviveriam muito tempo. O desespero tomou conta de todos, que começaram a discutir, culpando uns aos outros. Enquanto os homens brigavam, uma criança caminhou no meio deles e se dirigiu para a beira do leito de um rio seco. Ali se ajoelhou e começou a conversar com a natureza: “Eu sei que nós não respeitamos você, mas nos perdoe, nos dê mais uma chance e tudo será diferente”.
     Quando o Rei das Águas viu aquilo, sua raiva acabou. Ordenou que todas as águas voltassem a molhar o planeta, mas devagar para não haver dilúvio. Gotas de chuva começaram a cair dos céus e encher os rios, mares, lagos e oceanos. Os homens pararam de brigar e entenderam que as lágrimas de uma criança lavaram a culpa deles, e a partir daquele dia passaram a respeitar as águas e todos os seres vivos da Terra. Desde então, as águas começaram a ir em forma de vapor e a voltar em forma de chuva, lavando o planeta, em respeito à pureza daquela criança.

Confecção de um Terrário:

Materiais: 1 galão de plástico de 5 litros, arame, pedrinhas, terra adubada, mudas de plantas, bichinhos (minhocas, joaninhas, tatuzinhos, etc).

Como fazer:

1.      Coloque as pedras no fundo do galão de plástico.
2.    Cubra-as com uma camada de terra adubada (até a metade do galão).
3.    Use o arame para deixar a terra aerada e plante as mudas.
4.    Coloque os bichinhos, regue a terra e feche o galão com a tampa.

Atividade:
     Observe com as crianças as gotinhas formadas pela evaporação da água e o desenvolvimento das plantas e dos bichinhos dentro do terrário. Converse com elas sobre o ciclo da água e a sua importância para os seres vivos.

Fonte: Revista Guia Prático para professores de Educação Infantil.

Proposta de interações e brincadeiras: Caça ao tesouro sensorial

Campos de experiências: * Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento: * Classi...