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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Acolhimento na Educação Infantil

    A experiência mais interessante na vida do ser humano é a possibilidade de convivência com os seus pares, a vida em comunidade. A Educação Infantil é a primeira experiência de convivência na diversidade, visto que as crianças tem a oportunidade de conviver com os seus pares, de brincar, de interagir, de dialogar em um ambiente social de aceitação e confiança, planejado e organizado para recebê-la.
    Portanto, é preciso considerar que o ambiente da instituição de Educação Infantil precisa ser acolhedor para todos que convivem neste espaço. Acolher significa preocupar-se com o outro, planejar situações para o bem estar daquele que será acolhido. O acolhimento pode ser considerado sob diferentes pontos de vista:
    • Das famílias que compartilham a educação da criança com a creche/pré-escola;
    • Da criança, do significado e emoção que é passar de um espaço seguro e conhecido, para outro em que é necessário um investimento afetivo e intelectual para poder estar bem;
    • Do professor, que recebe uma criança desconhecida e ainda tem as outras do grupo para acolher;
    • Das outras crianças, que estão chegando ou fazem parte do grupo e precisam encarar o fato de que há mais um para repartir, mas também para somar;
    • Da instituição, nos aspectos organizacional e de gestão, que prevê espaço físico, materiais, tempo e recursos humanos com competência para esta ação.
 
    O momento de acolher é estratégico para possibilitar que os vínculos de confiança entre crianças, famílias e profissionais se estabeleçam. Um período de acolhimento sensível e bem planejado possibilita que as relações com as famílias das crianças sejam tranquilas ao longo do ano.
    É importante considerar que além das crianças, os pais também precisam ser acolhidos na instituição de Educação Infantil, por isto, é essencial, respeitar os sentimentos dos pais que, muitas vezes, se sentem culpados em deixar seus filhos com pessoas estranhas à família, esclarecendo que as novas relações irão enriquecer os universos das crianças e de seus pais, sem substituí-los no seu papel principal.
    O professor que recebe uma criança nova na turma também vivencia momentos conflitantes, com dúvidas e insegurança. Para facilitar esse processo ele segue algumas orientações como:
    • Ter conhecimento da ficha de anamnese de cada criança antecipadamente;
    • Valorizar a identidade da criança e escolher junto com ela o seu cabideiro ou gavetão, colocando seu nome e garantindo que aquele lugar ficará disponível para que ela possa guardar seus pertences;
    • Informar os pais sobre o funcionamento da Instituição de forma detalhada e organizada, para que possam ter a maior clareza possível quanto aos princípios filosóficos e educacionais em que pauta o trabalho no espaço educativo que estão escolhendo para acolher seus filhos, para que compreendam o trabalho realizado com as crianças, que confiem nos adultos e que se sintam bem em deixar seus filhos nesta Instituição;
    • Explicar aos pais que o período de adaptação é de aproximadamente 3 a 4 semanas e que as dúvidas, as inseguranças e culpas fazem parte desse processo, porém eles não estão sozinhos, pois o CEI também participa do processo de adaptação de seu filho;
    • Permitir que nesse momento inicial da criança na Instituição ela traga de casa objetos que lhe dê segurança e conforto, como chupetas, paninho, brinquedos, entre outros. À medida que adquire mais intimidade com o novo espaço e as novas pessoas de referência, ela irá abrindo mão desses apoios. Os objetos podem estar simplesmente por perto, na mochila, no armário, onde ela recorrerá a eles provavelmente em momentos de maior fragilidade. Aos pouquinhos, a criança pode ser convidada a contribuir com objetos trazidos de casa para as dinâmicas do grupo, o que lhe causará grande prazer. Fotografias suas em diferentes idades e situações com seus familiares também ajudam. Nos primeiros dias, as crianças se sentirão mais a vontade, explorando ambientes, acompanhadas. Geralmente preferem a área externa, mexer com água, terra, areia, brincar no parquinho, até que aos poucos vão sendo atraídas pelo grupo de crianças, pelo desejo e curiosidade de “Ver” o que está acontecendo;
    • Não ficar ansiosa para que as crianças se ajustem a rotina do grupo muito rapidamente. Deixar que as crianças mantenham seu jeito de ser, sua rotina individualizada, para aos poucos, se ajustar ao grupo;
    • Procurar manter uma rotina estável sem muitas variações, para que a criança vá dominando cada vez mais a rotina. As crianças aprendem a se localizar no tempo e no espaço com as atividades quando a rotina é mantida, além de construir vínculos e se organizar para a aprendizagem;
    • Organizar a sala de modo que o ambiente seja motivador, colocando colchões ou tapetes no chão para as crianças sentarem e disponibilizando brinquedos que favoreçam a afetividade, como bonecas e outros. Pode-se também organizar cantos de atividades diversificadas com objetos que as crianças se identificam conforme a faixa etária. O professor precisa interagir com as crianças e observar o que mais as interessam para que possam organizar um planejamento/projeto condizente com a realidade do grupo. Brincadeiras e brinquedos preferidos podem ser apresentados neste momento. Os cantos de atividades também favorecem que as crianças fiquem mais livres e brincando entre si, enquanto o professor pode dispensar uma atenção especial para a criança nova;
    • Planejar atividades simbólicas que trabalhem a relação de perda (esconde-esconde, brincadeiras de imitar animais, entre outras);
    • Considerar o parque como um espaço de atividade e planejar também intervenções para este momento. Brincadeiras na areia e na água, bolhas de sabão, lavar roupas de boneca, regar plantas, vai mostrando para as crianças que o ambiente de casa e o escolar possuem diferenças e semelhanças. As cirandas, os jogos motores, os circuitos e obstáculos garantem boas oportunidades de aprendizagem e brincadeiras;
    • Nas duas primeiras semanas do início do ano letivo, planejar atividades coletivas e oficinas, visando uma integração entre as crianças de diferentes faixas etárias;
    • Receber a criança, demonstrando alegria e satisfação por sua chegada;
    • Estar presente no momento em que os pais se despedem da criança para ampará-la, dizendo-lhe que seus pais foram trabalhar e que virão buscá-la em determinado horário relacionando este com uma atividade específica (após o sono, lanche da tarde, etc.). Nesse momento é muito importante o contato físico entre professor e criança.
    As dificuldades no período de inserção não acontecem apenas no ingresso da criança na unidade, podem também acontecer quando ela retorna após um período de afastamento, seja por férias, tratamento de saúde, férias dos pais ou qualquer outra situação. Entendemos a importância de que durante o acolhimento, todos os envolvidos nesse processo estejam abertos para se integrarem no novo grupo que se constituem, criando novas formas de ocupação dos espaços e interações entre os diferentes sujeitos.
 
Fonte: Projeto Político Pedagógico do CEI Castelo Branco.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sequência Didática: Eu, nós e todo mundo na escola

Introdução
        A construção da identidade se dá por meio das interações da criança com o seu meio social. A escola de Educação Infantil é um universo social diferente do da família, favorecendo novas interações, ampliando desta maneira seus conhecimentos a respeito de si e dos outros. A auto-imagem também é construída a partir das relações estabelecidas nos grupos em que a criança convive. Um ambiente farto em interações, que acolha as particularidades de cada indivíduo, promova o reconhecimento das diversidades, aceitando-as e respeitando-as, ao mesmo tempo que contribui para a construção da unidade coletiva, favorece a estruturação da identidade, bem como de uma auto imagem positiva.

        Tendo em vista estes propósitos, a utilização de fotos pode ser amplamente aproveitada pelo professor de educação infantil. Este recurso visual promove situações de interação, reconhecimento e construção da auto-imagem, favorece as trocas e a percepção do outro e, das igualdades e diferenças, e consequentemente, de si.

Objetivos:
- Interagir e relacionar-se por meio de fotos.
- Perceber-se a si e ao outro, as igualdades e diferenças, mediante as interações estabelecidas.
-Sentir-se valorizado e reconhecido enquanto indivíduo.
-Enxergar-se a si próprio como parte de um grupo, de uma unidade complexa.

Tempo estimado: Um a dois meses.
        Esta sequência didática foi traçada considerando as necessidades das crianças de se reconhecerem no grupo no início do ano letivo. Desta forma, foram pensadas atividades numa sequência, que pode ser alterada conforme as necessidades e interesses de cada grupo. Depois desta sequência inicial é interessante que algumas atividades ocorram diariamente no decorrer do ano, como a elaboração da rotina e a elaboração do quadro de presença.

Material necessário:
- Fotos das crianças sozinhas, com seus familiares, com seu brinquedo preferido, e outras, realizando atividades que gosta sozinhas e junto de seus colegas.
- Caixinhas de sapato infantil para servir de caixinhas surpresa. Podem ser pintadas ou forradas.
- Papel craft para fazer cartazes de pregas.
- Papel cartão colorido e cola para confeccionar os cartazes com janelinhas.
- Fita adesiva.
Desenvolvimento das atividades:

Sequência 1: eu, eu e eu
1. Numa roda, distribuir caixinhas surpresa para as crianças com suas respectivas fotos dentro, de forma que abram e encontrem a sua imagem.
2. Distribuir as fotos e ajudar as crianças a colá-las sobre os cabides, onde ficam penduradas suas sacolas. Deixar as fotos sempre no mesmo lugar para que as crianças saibam o lugar destinado a ela para guardar seus pertences. (Pode-se também fazer um mural de bolsos e, com ajuda das crianças, colar suas fotos, uma em cada bolso).
3. Fazer um cartaz de pregas representando a escola e outro representando a casa. Disponibilizar as fotos das crianças numa caixa que fique disponível a elas no início do dia. Deixe que olhem as fotos, encontrem as suas próprias e ensine-as a colocar no cartaz referente à escola.
4. Numa roda, sortear uma foto por vez para que o grupo identifique quem é. Incentivar as crianças a nomear e a relacionar foto e colega. Também podem cantar alguma canção simples, que diga os nomes das crianças neste momento, como Bom dia Mariana, como vai? Bom dia Mariana, como vai? Bom dia, Mariana, bom dia Mariana, bom dia, Mariana, como vai? Cada um leva a sua foto ao cartaz da escola.
5. Espalhar fotos pelo espaço e brincar com as crianças de encontrar. Pode cantar uma canção simples como: Cadê o Léo, cadê o Léo, o Léo onde é que está? Cada um leva a sua foto ao cartaz da escola.
6. Fazer um cartaz com cópias repetidas e misturadas das fotos de todas as crianças. Brincar com as crianças de cada uma encontrar as suas próprias fotos entre as demais.

Sequência 2: eu, tu, eles

1. Preparar um pequeno cartaz com janelinhas que abrem e fecham, uma sobre a outra, para cada criança (uma coluna, com espaço para quatro ou cinco fotos). Na janelinha de cima, colocar a foto da criança e fechar, de forma que a foto fique escondida. Sugerir às crianças que abram as janelinhas e encontrem qual é o seu cartaz.
2. Nas caixinhas surpresas colocar as fotos das crianças com seus familiares. Distribuí-las entre as crianças aleatoriamente. Deixar que abram e sugerir que descubram de quem é a foto que encontraram. Cada um entrega a foto que encontrou para o seu dono. O dono da foto cola-a, com ajuda do professor, no seu cartaz de janelinhas.
3. Em roda, cada criança mostra a foto do seu brinquedo preferido para o grupo e, com ajuda do professor, conta o que é e como brinca com ele. Depois, colam na janelinha seguinte de seu cartaz.
4. Repetir a atividade acima quantas vezes quiser, acrescentando fotos de outras coisas significativas do universo familiar de cada criança (foto do quarto, do animal de estimação etc.)

Sequência 3: nós e todo mundo
1. Com os cartazes, montar um biombo para sala, ou um grande mural, ao qual as crianças terão acesso livre para verificar as fotos de suas janelinhas e as de seus colegas.
2. Tirar fotos das crianças na escola, em suas atividades cotidianas, em pequenos ou em grandes grupos. Montar um móbile na altura das crianças para enfeitar um canto da sala.
3. Entre algumas fotos tiradas na escola, selecionar as mais ilustrativas das atividades que acontecem diariamente para confeccionar um quadro de rotina do grupo.
4. Todos os dias montar a rotina, sequenciando as atividades representadas pelas fotos, com ajuda das crianças.
Quer saber mais?
Bibliografia
As cem linguagens da criança, Carolyn Edwards, ARTMED
Aprender e ensinar na Educação Infantil, Eulália Bassedas, ARTMED
Referencial Nacional para a Educação Infantil, MEC, 1998.
Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagem e Orientações Didáticas para a Educação Infantil, PMSP - SME/ DOT, 2007.
Fonte: Revista Nova Escola - Ana Lúcia Antunes Bresciane -Psicóloga, Formadora de professores e Coordenadora Pedagógica da Escola Recreio, em SP.

terça-feira, 1 de março de 2011

A ADAPTAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

  • A vinda da criança para o Berçário deve ser preparada;
  • A separação, apesar de necessária, é um processo doloroso tanto para a criança quanto para a mãe, mas é superada em relativamente pouco tempo;
  • Devem-se procurar evitar grandes alterações durante esse período de adaptação: mudança de residência; retirada do bico ou das fraldas; mudança das mobílias do quarto da criança; etc.;
  • O fato da criança chorar na hora da separação é frequente e nem sempre significa que ela não queira ficar na escola;
  • A ausência do choro não significa que a criança não sinta a separação. Não é necessário encarar esse fato com ansiedade, pode até ser um bom sinal;
  • Sempre que possível, é benéfico que seja a mãe a entregar a criança à educadora, colocando-a no chão e incentivando-a a ficar na Instituição. Não é recomendável deixar a educadora com o encargo de retirar a criança do colo da mãe;
  • Nunca saia “escondida” do seu filho. Despeça-se naturalmente.
  • A sala do Berçário é um espaço que deve ser respeitado e a sua presença nela, além de dificultar a compreensão da separação, fará com que as outras crianças “reclamem” a presença das respectivas mães;
  • Lembre-se que a equipe do Berçário trabalha com crianças em grupo, procurando distribuir a sua atenção pelos diferentes bebés;
  • Se os pais confiarem na Instituição e nos seus trabalhadores, sentirão segurança no momento da separação e, esse sentimento, será transmitido ao bebê, que suportará melhor a nova situação;
  • O período de adaptação varia de criança para criança, é único e deverá ser respeitado;
  • Poderão ocorrer algumas regressões de comportamento durante o período de adaptação, assim como alguns sintomas psicossomáticos (febre, vômitos etc.);
  • Nesta fase, é comum verificar-se, por parte do bebê, uma ambivalência de sentimentos: o desejo de autonomia e a sua necessidade de proteção ocorrem simultaneamente.
  • Aqui estão algumas sugestões, para os pais ajudarem os seus filhos a adaptarem-se ao Jardim de Infância;
  • Os pais não devem demonstrar a sua ansiedade ao filho e, sim, tratar com naturalidade o primeiro contato com a escola.
  • Converse bastante com a criança, explicando-lhe o que vai ocorrer com ela, sem ocultar dados ou inventar histórias.
  • Não crie grandes expectativas na criança quanto ao universo escolar. Dê a ela autonomia e liberdade necessárias para descobrir o que a escola pode lhe oferecer.
  • Leve a criança à escola antes do começo do ano letivo. Esta iniciativa faz com que ela comece a familiarizar-se com o ambiente escolar.
  • Ao deixar o seu filho, na porta da escola, não use “artifícios” para distraí-lo e poder ir embora. Mesmo que “abra um berreiro”, é melhor que veja você indo embora, do que pense que você sumiu de repente.
  • É fundamental que os pais não se atrasem para irem buscar os filhos, para que eles não tenham a terrível sensação de que não voltarão para casa. Os filhos sentem-se mais seguros ao ver os pais à porta da escola.
  • No período de adaptação escolar da criança, não deixe de levá-la à escola.
  • Não mude os hábitos da criança durante o período de adaptação, tais como: deixar de usar fraldas ou a chupeta, por exemplo.
    FONTE: Beatriz Santomauro, de Vitória, ES, e Luiza Andrade, colaboraram Bianca Bibiano; Denise Pellegrini, de Curitiba, PR; Julia Browne, de Belo Horizonte, MG; Marina Simeoni, de Poços de Caldas, MG; Thais Gurgel, de Sobral, CE; e Vilmar Oliveira, de São José dos Campos, SP.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pais, vocês estão preparados para seu filho entrar na escola?


Não pense que só a criança tem de se adaptar ao início da vida escolar. Os pais também precisam de um tempo para assimilar essa nova etapa!!

Confie na escola:

        Parece óbvio, mas nem sempre acontece. É o primeiro passo para que a criança também se sinta segura no novo local. “É como se a mãe autorizasse alguém a cuidar do filho dela e é nessa autorização que o processo de adaptação da família começa a dar certo. Para que haja confiança, por sua vez, é importante que a escolha da escola tenha sido bem trabalhada. Quando é indicação de amigos ou familiares, fica fácil. Para quem não tem tais referências, esse vínculo se estabelece na medida em que os pais conhecem e se identificam com os princípios que norteiam o projeto pedagógico e a concepção de aprendizagem. E, naturalmente, precisam acreditar nesses valores éticos e morais estabelecidos pela escola.

Lembre-se de que conquistas requerem esforços:

        Existe uma tendência de os pais quererem superproteger os filhos, evitando ao máximo que sofram. Mas é importante lembrar que o ingresso na escola e as primeiras separações da mãe ou de casa fazem parte do processo de crescimento da criança”. Acrescentamos que os pais devem ter em mente que certas conquistas vêm acompanhadas de dificuldades. Representam também um amadurecimento da criança e a escola é um excelente ambiente para isso acontecer.

Atente para o tom da separação:

        Despedidas dramáticas, duradouras e carregadas de emoção são um prato cheio para dificultar a entrada das crianças na escola. Independentemente do comportamento delas, os pais devem procurar dar um tom leve e até mesmo prático às despedidas. Duro, né? Mas é fundamental para que a criança perceba que não existe a opção de um choro segurar o pai ou a mãe na escola por mais tempo.

Preserve a rotina da criança em casa:

        Não é hora de mudanças de cama, de quarto, retirada de fraldas, chupeta, mamadeira e coisas do gênero.

Adapte-se aos horários e tenha assiduidade:

        Nos primeiros dias, a pontualidade na hora de buscar é crucial. Um atraso pode deixar a criança insegura, com medo de que a mãe não volte, e dificultar a despedida e a permanência nos dias seguintes. Mesma pontualidade no início do dia também para que a criança inicie as atividades com o grupo. Evite faltas, para que a criança se insira logo na rotina escolar.

Tenha cuidado com o que diz – e com o que não diz:

        Algumas armações, por mais inofensivas que possam parecer, costumam atrapalhar significativamente o processo de adaptação da criança. Na despedida, por exemplo, frases como “você vai ficar bem, não é?” ou “você não vai chorar, vai?” acabam sugerindo à criança que tenha comportamentos desse tipo. Criar expectativas exageradas, dizendo à criança que ela vai adorar, que a escola é maravilhosa, que as professoras são fantásticas etc., também pode ser prejudicial, pois pode gerar decepções para o pequeno. Por fim, nunca minta para seu filho (dizendo que vai para um lugar caso vá para outro) e, por mais que ele esteja brincando bem e tranquilo, nunca vá embora sem se despedir. Isso quebra a relação de confiança com a mãe e pode gerar na criança o medo de ser abandonada naquele lugar estranho.

Choros são normais:

        O choro não significa que a criança não está gostando da escola. É uma maneira de ela dizer que é difícil se despedir da mãe. É comum esse choro terminar assim que as mães viram as costas. Se o lamento se prolongar, vale investigar, claro. Ah, sim, tem muita mãe que também não aguenta as lágrimas. Mas tem de, pelo menos, não deixar a criança ver.

Não demonstre insegurança ou dúvidas:

        Comentários negativos em relação à escola nunca devem ser feitos diante delas. Se a criança perceber a insegurança da mãe, pode tomar o sentimento para si ou ainda se aproveitar da situação e recorrer a chantagens emocionais.

Tenha paciência:

        A maioria das crianças leva uma ou duas semanas para se adaptar à escola. Há algumas que levam dias e outras, meses. Isso não quer dizer que as de adaptação mais lenta vão gostar menos da escola. Significa apenas que precisam de um pouco mais de tempo. Resta respeitar o ritmo da criança.

Sem culpas ou cobranças:

        Especialmente entre mães que colocam as crianças cedo na escola por motivos profissionais, a culpa é muito comum. “Mãe trabalhando em período integral é a realidade de muitas famílias e a criança terá de conviver com isso. Não é um mal, mas um componente da família, que gera satisfação pessoal para a mãe ou, no mínimo, um aumento da renda familiar”, diz a psicopedagoga Edimara de Lima. Por isso, não é caso de se cobrar em relação às dificuldades próprias ou dos filhos.

Respeite as orientações:

        “É fundamental que os acompanhantes das crianças na adaptação atendam às solicitações passadas pelas professoras e pela coordenação da escola”, E nos detalhes. Respeite a experiência da equipe no assunto.

Está tudo bem. Mas acabou?

        Um belo dia, a criança chega feliz à escola, despede-se dos pais, fica bem durante todo o período e volta para casa lembrando as coisas boas vividas no dia. A adaptação está concluída? Talvez. É possível que seu filho, que ficou ótimo na primeira semana de aulas, apresente dificuldades na semana seguinte. Outra criança pode apresentar problemas dali a 15 dias ou um mês. Segundas-feiras, voltas de feriados e especialmente de férias também são momentos delicados, em que choros e reclamações nas despedidas podem voltar a aparecer. O importante, então, é os pais, como sempre, conversarem com a escola, que vai atentar também para eventuais jogos emocionais feitos pela criança. Satisfeitos com a escola escolhida, acreditem que é o lugar onde tudo acontece pelo bom desenvolvimento e bem-estar da criança.

Boa sorte!

DIÁLOGO: Converse e esclareça todas as dúvidas com a escola. Entre em detalhes, não deixe nada para se preocupar depois, em casa.
Fonte: Revista crescer

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Adaptação

Adaptação bem feita - Cristiane Marangon (novaescola@atleitor.com.br) – Revista Nova Escola edição 207 Novembro 2007.

A decisão de matricular o filho na Educação Infantil é movida por diferentes razões. Alguns precisam apenas de um lugar para deixá-lo, enquanto outros entendem que esse é o ambiente mais apropriado para os pequenos. Nos dois casos, os primeiros dias na creche costumam não ser fáceis. As mães (ou responsáveis) choram discretamente, se sentindo culpadas pela separação, e a criançada abre o berreiro ao ver os adultos saírem pela porta. Evitar cenas assim é possível quando os profissionais escolares programam uma boa adaptação para todos. "Como, na maioria das vezes, essa é a primeira vivência de meninos e meninas num espaço coletivo fora de casa, devemos fazer dessa experiência a grande e boa referência para as próximas relações", diz Beatriz Ferraz, diretora de projetos de formação continuada da Escola de Educadores, em São Paulo.
No Colégio Farroupilha, em Porto Alegre, a professora Edimari Rodrigues Romeu tem grande preocupação com a adaptação. "Para amenizar o sofrimento das famílias, é preciso mostrar que as crianças ficam bem na creche", lembra. Com isso em mente, ela desenvolveu no início deste ano o projeto Um Cantinho da Minha Casa na Escola com sua turma de berçário. O trabalho com os pequenos, de até 1 ano e meio, durou dois meses e rendeu um diploma por ter ficado entre os 50 melhores do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 em 2007.
Durante a entrevista com as famílias, Edimari pediu fotos das crianças com os parentes, os animais de estimação e os brinquedos preferidos. "É importante que elas encontrem objetos pessoais na escola", justifica. "Isso dá a sensação de extensão de casa na instituição." Com o material, escolheu um canto, colocou um tapete colorido de EVA no chão e espalhou almofadas e brinquedos devidamente identificados. Em paralelo, confeccionou um painel com os retratos. Tirou cópias coloridas e as fixou em cartolina branca com um adesivo transparente largo. Por fim, colocou o mural na parede numa altura acessível ao grupo.

Álbum de fotos:

As imagens originais foram para álbuns individuais. A professora cortou ao meio folhas coloridas de tamanho A4 e colou as fotos em cada pedaço. Depois, digitou as legendas no computador e imprimiu em papel branco. Nelas, o nome das pessoas e a situação ("Pedro com seus avós no parque", por exemplo). Para garantir mais durabilidade, envolveu as folhas com plástico adesivo transparente. Com o furador, fez dois orifícios em todas as páginas e as uniu com barbante. Na capa, escreveu "Eu e minha família". Como a intenção era deixá-los ao alcance da criançada, ela tomou o cuidado de não usar grampeador nem fio de náilon para não causar machucados.
Todos os dias, alguém chegava com um brinquedo para juntar ao canto. Edimari reunia a turma numa roda, fazia a chamada e mostrava o novo objeto. "Eu contava quem havia trazido e estimulava o empréstimo, mas nem sempre era atendida. Quem não queria compartilhar era respeitado", diz. Dessa maneira, ficava entendido o que pertencia a quem. O mesmo aconteceu com a inserção de fotos inéditas, com destaque para o nome e as peculiaridades de cada família.
O tempo todo, os pequenos estão livres para explorar o espaço. "Em alguns momentos, eles ficam um longo período olhando e observando seus parentes e os dos colegas", conta. Mas nem todos se acalmam vendo a imagem da família na parede. No princípio, era comum alguns chorarem de saudade. Quando isso acontecia, a educadora os pegava no colo e conversava sobre o momento em que se reencontrariam com os pais novamente. Um de seus argumentos era a proximidade da hora de saída. Para os que não têm autonomia para se locomover, como os bebês de colo e os que ainda não engatinham ou andam, a estratégia é levá-los ao painel ou fixar as fotos no chão com plástico adesivo transparente. Desde o início do ano, Edimari já refez o material algumas vezes por causa da manipulação, mas isso não é problema. O que importa mesmo é o bem-estar da turma.

Envolvimento de todos:

O CEI Mina, na capital paulista, tem um projeto institucional de adaptação bastante elogiado. Assim que recebe a lista de interessados em fazer a matrícula, a diretora Rosangela Santos Barbosa marca uma entrevista com os pais ou os responsáveis. No dia combinado, ela aplica um questionário com perguntas sobre concepção, gestação, parto, relações afetivas, higiene, alimentação, sono e outros aspectos da vida da criança em casa. Sua intenção é reunir informações para que a equipe consiga fazer um atendimento personalizado. Depois, ela explica o planejamento pedagógico e apresenta todos os espaços e funcionários, dando ênfase aos lugares onde a criança vai ficar. O fim da conversa é um convite para que os adultos passem alguns dias na creche, acompanhando a rotina.
Rosangela tem objetivos definidos. "Quero proporcionar tranquilidade e fazer com que todos se sintam seguros acompanhando nosso trabalho", explica. A medida tem um ganho adicional. Com a família dentro da instituição, os professores aprendem mais rapidamente a melhor maneira de cuidar do novo integrante da turma. "O ideal é que a primeira troca de fraldas seja feita pela mãe com a observação do educador", defende a consultora Beatriz.
Na CEI Mina, os adultos participam ainda de palestras e discussões pedagógicas. "Sempre exibo um vídeo e leio sobre o tema adaptação antes de iniciar uma reflexão", conta a diretora. Além do ambiente preparado com mesa, cadeiras e videocassete, ela oferece um lanche. Nesse clima descontraído, todos se sentem à vontade para compartilhar impressões e angústias. Com o entrosamento no espaço escolar, Rosangela propõe uma oficina de sucata para a confecção de um brinquedo. A produção dos pais é sempre colocada na sala da creche. Outra iniciativa é integrar os participantes às atividades do dia-a-dia. "O envolvimento é tão grande que as pessoas não se restringem a dar atenção aos seus", narra.
Os especialistas recomendam ainda compartilhar um texto sobre o desenvolvimento infantil e explicar o que acontece em cada época da infância, principalmente na fase em que está o filho.

A equipe e a família:

A equipe pedagógica também merece uma adaptação. "A rotina da instituição se altera completamente com a chegada de cada novo integrante, seja no início do ano, seja agora", justifica Silvana Augusto, assessora para Educação Infantil e formadora de professores, de São Paulo. Nesse caso, coordenadores e diretores devem orientar professores e demais funcionários sobre como se comportar: por exemplo, explicar aos cozinheiros que, se acriança rejeitar a comida, não é um problema do trabalho dele.
A adaptação é um período de aprendizagem. Família, escola e crianças descobrem sobre convívio, segurança, ritmos e exploração de novos ambientes, entre tantas outras coisas. Para as famílias das crianças do CEI Mina, fica a clareza de fazer parte da creche, pois a equipe considera o sentimento delas para desenvolver o próprio trabalho. "Estamos prontos para receber os pais. Eles são nossos parceiros!", diz Rosangela.
No Colégio Farroupilha, a professora gaúcha também alcançou seu objetivo: as crianças rapidamente ficaram tranqüilas dentro do novo ambiente. Para demonstrar isso aos pais ou responsáveis, fez fotos de diferentes situações, como a brincadeira no tanque de areia, a hora do lanche, o abraço apertado no brinquedo querido e os olhares felizes em direção ao mural. "As crianças aprendem a ficar longe da família e, com isso, se apropriam dos espaços da creche", avalia.

Os primeiros dias

 
         Perceber que não só as crianças devem ser acolhidas e inseridas, mais seus pais também. É importante respeitar os sentimentos dos pais que muitas vezes se sentem culpados em deixar seus filhos com pessoas estranhas à família, esclarecendo que as novas relações irão enriquecer os universos das crianças e de seus pais, sem substituí-los no seu papel principal.
         Consideramos fundamental que um dos pais permaneça na Instituição, acompanhando de perto o processo de inserção de seu filho, caso não possam acompanhar esse processo, é aconselhável que indiquem outra pessoa de confiança da criança para cumprir esse papel.
         Acreditamos que para a criança essa é a forma mais suave de superar esta fase, pois se sentirá mais segura para explorar o novo ambiente.
            O educador que recebe uma criança nova na turma também vivencia momentos conflitantes, com dúvidas e insegurança. Para facilitar esse processo os professores seguem algumas orientações como:
  • Informar os pais sobre o funcionamento da Instituição de forma detalhada e organizada, para que possam ter a maior clareza possível quanto aos princípios filosóficos e educacionais em que pauta o trabalho no espaço educativo que estão escolhendo para acolher seus filhos, para que compreendam o trabalho realizado com as crianças, que confiem nos adultos e que se sintam bem em deixar seus filhos nesta Instituição.
  • Explicar aos pais que o período de adaptação é de aproximadamente 3 a 4 semanas e que as dúvidas, as inseguranças e culpas fazem parte desse processo, porém eles não estão sozinhos, pois o CEI também participa no processo de adaptação de seu filho.
  • Permitir que nesse momento inicial da criança na Instituição ela traga de casa objetos que lhe de segurança e conforto, como chupetas, paninho, travesseiro, bichinhos de pelúcia, brinquedos entre outros. A medida que adquire mais intimidade com o novo espaço e as novas pessoas de referência, ela irá abrindo mão desses apoios. Os objetos podem estar simplesmente por perto, na mochila, no armário, onde ela recorrerá a eles provavelmente em momentos de maior fragilidade. Aos pouquinhos, a criança pode ser convidada a contribuir com objetos trazidos de casa para as dinâmicas do grupo, o que lhe causará grande prazer. Fotografias suas em diferentes idades e situações, com seus familiares, inclusive, também ajudam. Nos primeiros dias as crianças se sentirão mais a vontade explorando ambientes, acompanhadas. Geralmente preferem a área externa, mexer com água, terra, areia, brincar no parquinho, até que aos poucos vão sendo atraídos pelo grupo de crianças, pelo desejo e curiosidade de “VER” o que esta acontecendo. As experiências vividas neste período devem ser agradáveis, tanto para a criança, como para a Instituição, pois sempre propiciam aprendizagem.
  • Organizar a sala de modo que o ambiente seja motivador, evitando o uso de mesas nas turmas menores, colocando colchões no chão para as crianças sentarem e disponibilizando brinquedos que favoreçam a afetividade, como bonecas, bichos de pano etc..
  • Planejar atividades simbólicas que trabalhem a relação de perda (esconde-esconde, brincadeiras de imitar animais, entre outras).
  • Receber a criança demonstrando alegria e satisfação por sua chegada
  • Estar presente no momento em que os pais se despedem da criança para ampará-la, dizendo-lhe que seus pais foram trabalhar e que virão buscá-la em determinado horário relacionando este com uma atividade específica (após o sono, lanche da tarde, passeio etc). Nesse momento é muito importante o contato físico, educador/criança.
         As dificuldades no período de inserção não acontecem apenas no ingresso da criança na unidade, podem também acontecer quando ela retorna após um período de afastamento seja por férias, tratamento de saúde, férias dos pais ou qualquer outra situação.
         Entendemos que inserção e acolhimento expressam melhor o que pretendemos que seja esse momento na vida das crianças e das famílias. Todos os envolvidos nesse processo precisam estar abertos para se integrarem no novo grupo que se constituem, novas formas de ocupação dos espaços, enfim, nas novas interações que se instalam.
                

O início do ano letivo e a adaptação das crianças pequenas.

Por Rosa Maria de Freitas Rogerio
O início do ano letivo na instituição de Educação Infantil traz uma grande preocupação para os profissionais da educação: a adaptação das crianças à rotina da escola. Além da adaptação das crianças ao ambiente da escola, a família e os professores também passam por um processo de adaptação. Quando a criança chega à instituição educativa, ela precisa ser recebida com muito carinho e respeito para que possa se sentir segura e acolhida e para que possa ter todas suas necessidades atendidas. Garantir que todos vivenciem um processo de adaptação tranquilo e confortável é tarefa dos profissionais de educação. A criança que vai frequentar a escola precisa encontrar um ambiente que assegure a satisfação de suas necessidades físicas, lhe ofereça suporte emocional e contribua para a formação da sua identidade. Para que isso aconteça de forma natural é fundamental que a instituição educativa estabeleça uma parceria com a família porque pais e professores vão compartilhar a ação educativa.
O contexto da família e o contexto da escola são diferentes por natureza, por isso a escola precisa promover encontros com os pais/responsáveis das crianças que vai acolher, para que possam trocar informações sobre os ideais de educação de cada parte interessada nesse processo. Para trabalhar de modo produtivo no estabelecimento de uma aproximação com as famílias, os professores de creches e pré-escolas devem considerar que a família nuclear típica da cultura burguesa não é, hoje, a única referência existente (OLIVEIRA, 2007, p. 176). Conhecer o contexto familiar e social de cada criança, antes de acolhê-la na instituição educativa, ajuda no planejamento de atividades para o período de adaptação, pois a criança por pequena que seja [...] já viveu, em sua família, um conjunto de experiências transcendentes a si. Os professores e as professoras necessitam saber como é essa criança, quais os seus ritmos, que pautas de relação está estabelecendo e com que pessoas, o que lhe agrada e o que não lhe agrada, etc. (BASSEDAS, HUGUET & SOLÉ, 1999, P. 285).
Sabendo dessa realidade subjetiva, o professor precisa elaborar estratégias de acolhimento que levem em conta as características particulares de cada um e o contexto do grupo de crianças que irá frequentar a sua sala de aula. Não será apenas uma criança que estará ingressando na instituição educativa, haverá outros novatos e o professor vai lidar com as necessidades de todas as crianças. Como o professor pode promover uma adaptação tranquila para estas crianças que estão sob sua responsabilidade? O primeiro passo é conhecer o histórico familiar da criança. Para isso é importante que a instituição de Educação Infantil realize entrevistas com os pais/responsáveis para saber sobre a vida da criança até o momento de entrada na escola e, dessa forma, se preparar para lidar com o apego da criança em relação a sua família. O sofrimento da separação pode ser evitado ou diminuído quando a instituição educativa se prepara para receber de forma acolhedora as crianças que nunca estiveram por tanto tempo longe do seu ambiente familiar, e quando essa instituição consegue tranquilizar os pais/responsáveis em relação à ansiedade e à insegurança de deixar o filho neste novo ambiente.
Algumas iniciativas podem garantir tranquilidade e naturalidade ao processo de adaptação da criança ao ambiente escolar. Os professores podem:
- possibilitar que a criança traga alguns objetos familiares de casa: seu travesseiro, algum brinquedo, paninho, etc;
- inserir a criança em atividades interessantes, estimulá-la a manipular objetos, senti-los, significá-los, a observar os companheiros e a interagir com eles;
- organizar o ambiente (com objetos e locais mais livres para locomoção), para facilitar que o bebê ou a criança pequena brinque com outras crianças sem perder de vista o professor;
- relatar diariamente para a família alguma situação da qual a criança participou com mais interesse, a fim de tranquilizar os familiares (SÃO PAULO, 2007, p. 31).
Para além dessas iniciativas, a instituição de Educação Infantil precisa disponibilizar outros funcionários para auxiliar o professor na tarefa de adaptação dos pequenos ao ambiente escolar. O professor responsável por dez, quinze ou até vinte crianças não consegue lidar sozinho, nesse momento inicial, com as necessidades de todas elas e precisa de ajuda. Essa ajuda pode vir em relação aos momentos de alimentação, de troca de roupas ou banho e de preparo para o descanso. Os professores que recebem os ‘calouros’ do berçário também vivenciam um processo de adaptação, pois possuem poucas referências sobre as crianças. Diante disso, a instituição de Educação Infantil, através de sua equipe gestora, é responsável por oferecer condições adequadas de trabalho ao professor para que este disponha de ambiente confortável e bem organizado para a recepção dos bebês. Não há como exigir bom desempenho profissional de um professor que não dispõe de ambiente adequado para exercer suas funções.
O que seria um ambiente adequado? Uma sala bem ventilada, com diversos estímulos visuais, que ofereça conforto físico e bem estar emocional, que seja elaborada com móveis específicos para a primeira infância, etc. Como já foi dito, o professor precisa de um colaborador ou auxiliar para ajudá-lo a garantir um processo de adaptação tranquilo. Poderá haver momentos em que mais de uma criança estará chorando. Como lidar com as necessidades emocionais de mais de um ao mesmo tempo? Com paciência e tranquilidade. A crise de choro pode ser muito estressante para as outras crianças do grupo e até mesmo para o professor. Este precisa ser paciente para escutar esse choro, que é apropriado à situação – e não tentar calar ou distrair a criança sacudindo um brinquedo à frente dela, fazendo barulhos supostamente reconfortantes ou jogando-a para cima enquanto a segura. A ansiedade deve ser expressa em um contexto de tranquila aceitação, da mesma maneira que tentaríamos consolar um adulto que passa por uma situação de perda e luto (GOLDSCHMIED, 2006, p. 65).
As relações pessoais íntimas entre educando e educador precisam primar pelo desenvolvimento e felicidade das crianças. O vínculo afetivo é muito importante para o bem estar da criança porque através dele esta estabelece suas próprias relações com o mundo que a cerca. Quanto mais carinho, afeição e bem estar a criança sentir, mais confortável e tranquilo será seu processo de adaptação à rotina do novo ambiente. O horário coletivo de formação, dentro da jornada de trabalho do professor, é um momento ideal para troca de experiências sobre a adaptação. Os professores, mesmo os mais experientes, recebem crianças novas a cada início de ano e precisam conversar sobre como proceder em seu acolhimento inicial. Dicas, conselhos e sugestões de atividades coletivas são sempre bem vindas nesse momento de formação e enriquecem o repertório profissional de todos os profissionais.
Muitas mães se sentem culpadas por terem que deixar seus filhos em instituições educativas para poderem trabalhar. Esse sentimento precisa ser superado porque o ambiente escolar oferecerá diversos estímulos para a criança e esta se desenvolverá muito bem. Os professores e a equipe gestora são responsáveis pela formação dos pais/responsáveis em relação ao cuidado e à educação de seus filhos e em relação a esse momento de primeira grande separação dos pais/responsáveis e das crianças.O professor não tem um papel terapêutico em relação à criança e sua família, mas o de conhecedor da criança, de consultor, apoiador dos pais, um especialista que não compete com o papel deles. Ele deve possuir habilidades para lidar com as ansiedades da família e partilhar decisões e ações com ela. Se assim ocorrer, a família terá no professor alguém que lhe ajude a pensar sobre seu próprio filho e a se fortalecer como recurso privilegiado do desenvolvimento infantil (OLIVEIRA, 2007, p. 181).
Dessa forma, os professores conquistam a parceria dos pais na educação e no cuidado das crianças pequenas e conseguem garantir uma fase de adaptação tranquila para todos os envolvidos nesse processo: crianças, pais/responsáveis e profissionais de educação.
Os bebês e suas famílias, ao serem bem recebidos e acolhidos pela instituição de Educação Infantil, se adaptam bem à rotina do ambiente escolar. Esse momento de recepção, de acolhimento e de adaptação, tanto de bebês, como dos pais/responsáveis e dos professores, necessita de planejamento e avaliação coletivos por parte dos profissionais de educação da unidade escolar. Lembrem-se sempre de que o período de adaptação varia de criança para criança, é único e precisa ser respeitado.
Rosa Maria de Freitas Rogerio é Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da USP e Professora de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. E-mail: rosarogerio@yahoo.com.br Fonte: direcionalescola.com.br

Proposta de interações e brincadeiras: Caça ao tesouro sensorial

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